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Pedro, Paulo e Francisco

Santos Pedro e Paulo (© Vatican News)

Na solenidade litúrgica do martírio de São Pedro e São Paulo, lembramos um artigo de nossa fé católica: “Creio na Igreja… apostólica”. Várias características fazem parte da natureza da Igreja, mas voltemos agora nossa atenção para essa: “Igreja… apostólica”.

Isso significa que nossa Igreja vem dos apóstolos, que foram as testemunhas privilegiadas da pessoa e da vida de Jesus, da sua pregação, morte e ressurreição. Apesar de suas fragilidades humanas, eles viveram uma experiência única com Jesus durante a sua vida pública; foram marcados fortemente pelo drama de sua paixão e morte e também pela sua ressurreição.

Jesus ressuscitado confirmou como testemunhas e mensageiros do Evangelho diante de todos os povos. Para isso, eles receberam o dom especial do Espírito Santo e todos, menos S. João Evangelista, foram martirizados por causa de Jesus. Diante das perseguições, torturas e ameaças de morte, eles diziam: é preciso obedecer a Deus, antes que aos homens. Não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos! E isso se referia àquilo que eles haviam visto e ouvido enquanto estiveram com Jesus.

Nossa Igreja foi querida e instituída por Jesus para continuar, depois dele, o anúncio do Evangelho do Reino de Deus. Ela reconhece apenas Jesus como único fundador da Igreja. Depois da morte e glorificação de Jesus, os apóstolos deram início à ação e à organização da Igreja e o ensinamento deles ficou sendo sempre a referência obrigatória para a pregação e a fé autênticas, de maneira que a Igreja, depois dos apóstolos, permaneceu fiel ao ensinamento deles. E ainda hoje permanece. Quem se desvia do ensinamento dos apóstolos, já não faz mais parte da Igreja “católica e apostólica”.

No início, a garantia da fidelidade ao “ensinamento dos apóstolos” cabia a Pedro, junto com os demais apóstolos. E Paulo, o grande missionário, tornou-se a referência para a obra missionária da Igreja. Contudo, o próprio Paulo procurou cumprir a sua missão em sintonia com Pedro.

Pedro e seus sucessores, portanto, têm essas duas missões fundamentais na Igreja: cuidar da integridade e da unidade da fé recebida dos apóstolos e, por outro lado, promover a obra missionária da Igreja, para que o Evangelho seja anunciado em todos os tempos e lugares. O Papa exerce a missão de Pedro e também a de Paulo, pois cabe-lhe ser o primeiro animador da ação missionária da Igreja.

Na solenidade litúrgica do martírio de São Padro e São Paulo, renovemos nossa fé na Igreja, assim com Cristo a quis. Rezemos, especialmente, pelo Papa Francisco que, à frente da Igreja, tem a grande e difícil missão de Pedro e de Paulo.

Permaneçamos unidos e em comunhão com ele. A comunhão com o Papa é motivada pela nossa fé em Jesus e não por motivos humanos. A comunhão e a fidelidade ao ensinamento do Papa são sinais importantes de nossa “catolicidade” e de nossa comunhão com o ensinamento de Cristo, que nos veio através dos apóstolos.

Cardeal Odilo P. Scherer, Arcebispo de São Paulo

São Paulo, 27/06/2020

 

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