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Páscoa: Jesus ressuscita e caminha com os Discípulos de Emaús

Vivemos um tempo privilegiado de nossa caminhada de fé: Jesus, o Filho de Deus, é a presença viva de Deus na História. A Sagrada Escritura nos narra a ação de Deus na criação do universo: “No princípio, Deus criou o céu e a terra. E a seguir, criou a luz, o firmamento. Fez brotar a vegetação. Fez os luzeiros no firmamento dos céus, os seres vivos, e o homem e a mulher, à sua imagem e semelhança. E Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom” (Gn, 1-2). Entretanto, aconteceu o pecado, com todas suas terríveis consequências (Gn, 3).

Todo o Antigo Testamento nos apresenta a ação de Deus na condução da humanidade, segundo seu Projeto original de Amor.  Para isto, formou, um povo – o Povo de Deus. E nele foi se revelando como o Deus sempre presente em sua caminhada para a Terra Prometida, através de Abraão, de Moisés e dos Profetas que interpretavam a vontade de Deus para a felicidade do povo eleito e de toda a humanidade. E anuncia um plano definitivo de salvação: “Eis que estou enviando o meu mensageiro para preparar o caminho à minha frente. E de repente chegará a seu templo o SENHOR que estáveis procurando” (Mal, 3,1).

E este SENHOR – tão esperado – chegou: é JESUS! A grande surpresa: Ele veio do Céu, enviado pelo Pai no poder do Espírito Santo e se fez criatura humana. Nasceu numa gruta em Belém, viveu sua infância em Nazaré, na Galiléia. Conviveu com sua família e famílias vizinhas. Frequentou religiosamente a Sinagoga, em Nazaré na Galiléia. Foi, por isso, chamado Nazareno. Tudo foi acontecendo na humildade e no escondimento.    Após ser batizado por João Batista e ter rezado durante 40 dias no deserto (onde foi também tentado pelo diabo), começa sua pregação.  Anuncia o “Reino de Deus”. E para este Reino chama seus colaboradores: humildes pescadores. Com eles, percorre a Galiléia, a Judéia e a Samaria anunciando o Reino com palavras de sabedoria, curas e milagres em favor dos doentes e necessitados, sempre caminhando no meio do povo, simples e necessitado. E assim se apresenta aos discípulos: “Não se perturbe o vosso coração! Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas…Vou preparar um lugar para vós. E depois que tiver ido e preparado um lugar para vós, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver, estejais vós tam-bém. E para onde eu vou, conheceis o caminho”. Tomé disse: Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos saber o caminho? Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,1-6).

A CAMINHADA PASCAL DE JESUS:  

1. No Domingo de Ramos, Jesus entra em Jerusalém, sentado humildemente numa jumentinha: “A numerosa multidão estendeu suas vestes pelo caminho, enquanto outro cortavam ramos das árvores e os espalhavam pelo caminho. As multidões gritavam: “Hosana ao Filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor!… Quando Jesus entrou em Jerusalém, a cidade inteira se agitou, e diziam: Quem é este homem? E as multidões respondiam: “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia” (Jo 21, 8-12).

2. Na Ceia do Senhor, Jesus entrou em Jerusalém e se pôs à mesa com os Doze para a Ceia Pascal. Em certo momento, “levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés  dos discípulos, enxugando-os com a tolha com que estava cingido” (Jo 13, 4-5). E instituiu a EUCARISTIA: “Enquanto estavam comendo, Jesus tomou o pão e disse: “Tomai e comei isto e o meu corpo”. Depois, pegou o cálice, deu graças, passou-o a eles e todos beberam. E disse-lhes: “Este é o sangue da nova Aliança, que é derramado por muitos” (Mc, 22-24).

3. Na Sexta-feira Santa: A PAIXÃO – O Evangelista João nos descreve toda a PAIXÃO e MORTE DE JESUS: Ele é preso e amarrado (vv. 4-12); conduzido, amarrado, aos sumos sacerdotes Anás e Caifás (vv. 13-27); é levado a Pilatos, que o que-ria salvar porque não via nele nenhum crime que merecesse a morte. Inclusive, na festa da Páscoa, Pilatos podia soltar um preso. A escolha seria entre Barrabás (um bandido) ou Jesus (em quem não encontrava crime). Pressionado, porém, Pilatos soltou-lhes Barrabás. E mandou flagelar Jesus; os soldados teceram uma coroa de espinhos e a colocaram sobre a cabeça de Jesus. Vestiram-no com um manto vermelho, aproximavam-se dele e diziam: “Viva o rei dos judeus! Assim “trajado”, Pilatos apresentou-o aos judeus dizen-do: “Eis o homem.” Eles reagiram gritando: “Ele deve morrer, PORQUE SE FEZ FILHO DE DEUS”. “Se soltas esse homem não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei declara-se contra César”!  E foi condenado a morrer na Cruz. Subiu ao monte Calvário, com a Cruz às costas. Crucificado, entre sofrimentos indizíveis, rezou: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito! Foi a consumação de seu sacrifício para resgatar a humanidade pecadora, desde o início da História Humana. E começa nova etapa na caminhada da criação!  O corpo de Jesus é sepultado, entre as lágrimas dos discípulos, dos amigos e ami-gas de Jesus. E o sepulcro foi selado: “lacraram a pedra e deixaram ali a guarda” (Mt 27,66). Era o fim! Ou melhor: parecia o fim!

Mas…”Depois do Sábado, ao raiar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. De repente houve um grande terremoto: o anjo do Senhor desceu do céu e, aproximando-se, removeu a pedra e sentou-se nela…Os guardas ficaram com tanto medo do anjo que tremeram e ficaram como mortos. Então o anjo falou às mulheres: “Vós não precisais ter medo! Sei que procurais Jesus que foi crucificado. Ele não está aqui.! RESSUSCITOU COMO HAVIA DITO! Vinde ver o lugar em que ele estava. Ide, depressa contar aos discípulos: Ele ressuscitou dos mortos… E saindo às pressas do túmulo, com sentimento de temor e de grande alegria, correram para dar a notícia aos discípulos” (Mt 28, 1-8).

“Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas por medo dos judeus as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, JESUS ENTROU e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco” (Jo, 20, 19).

Na sequência dos acontecimentos após a Páscoa, Jesus Ressuscitado se encontra inúmeras vezes com os discípulos e com o povo. Apraz-me destacar: caminha com os discípulos em meio ao povo. Relembrando a revelação da Escritura, Jesus é Deus reconquistando a humanidade perdida pelo pecado e restabelecendo o plano original de Deus, ao criar o mundo e a humanidade: “E Deus viu que tudo o que havia feito era muito bom” (Gn, 1).

Caminhando com os Discípulos de Emaús – Entre as narrativas evangélicas que apresentam Jesus Ressuscitado, impressiona a de Lucas, que no capítulo 24, versículos de 13 a 35, o descrevem se aproximando de dois de seus discípulos “que iam para o povoado de Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. Os discípulos estavam como que cegos e não o reconheceram. Então Jesus perguntou: “O que ides conversando pelo caminho?”Eles pararam com o rosto triste, e um deles, chamado leófas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias”? Ele perguntou: “O que foi?”

E os discípulos responderam narrando-lhe sua visão dos acontecimentos. E Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na glória? E começando por Moisés e passando pelos profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele” (Lc, 24, 25-27). É uma síntese da pregação de Moisés e os Profetas, para preparar o povo de Deus para compreender sua caminhada para a vida plena neste mundo e no Reino de Deus realizado no final dos tempos.

É nossa caminhada de Fé hoje! Devemos reconhecer Jesus que caminha conosco. E nos convida a comer com Ele, nesta caminhada compartilhada: “Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando! Jesus entrou para ficar com eles. Quando se sentou à mesa com eles, TOMOU O PÃO, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus” (Lc, 24, 28-31).

Renovemos a fé em Jesus que caminha conosco, fortifica-nos em nossa caminhada. Senta à mesa conosco abençoa e parte o pão para nós. Como os discípulos de Emaús, deixemos arder nosso coração. E ouçamos o que a Igreja hoje está fazendo em todo o mundo, renovando sempre sua fé em Jesus e reconhecendo-o ao partir o pão!

Por Dom Jacyr Francisco Braido, CS, Bispo de Santos

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