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Paróquias e Comunidades

A presença da Igreja na sociedade acontece de modo visível, capilar e consolidado por meio das paróquias e das comunidades eclesiais. Elas são importantes e indispensáveis instrumentos para a missão evangelizadora da Igreja. As paróquias são instaladas no território da diocese; a igreja-matriz, as capelas e outros equipamentos são edificados no território das paróquias. Os templos são, por excelência, lugar onde o povo de Deus se congrega e celebra sua vida e sua fé. A paróquia tem base sólida no código de direito canônico, que lhe dá consistência e respaldo.
 
Em 2007, o Papa Bento XVI proferiu, em Aparecida, o discurso de abertura o da 5ª Conferência do episcopado latino-americano. O documento dela resultante fala da necessidade de renovação, revitalização e mesmo transformação das estruturas da Igreja, a começar pela paróquia. Fala do esforço a ser empreendido para superar uma pastoral de manutenção e da necessidade de uma conversão pastoral.
 
A Igreja enfrenta, atualmente, o emergente fenômeno da migração religiosa, que vem acontecendo de forma intensa há pelo menos duas décadas. Os dois últimos censos (2000 e 2010) oferecem um mapa dessa migração, mostrando a diminuição considerável do número de católicos no Brasil. Em 1990, os católicos somavam cerca de 83% da população brasileira; em 2000, somavam 73,6% dos brasileiros e, em 2010, diminuíram para 64,6%. Tais dados trazem preocupação à Igreja e a interpelam a dar respostas urgentes.
O primeiro desafio provém da realidade urbana, isto é, onde surge um novo conglomerado habitacional, sem demora, a Igreja deve propiciar o surgimento de uma nova comunidade, possibilitando à paróquia uma presença expandida, formando como que uma rede de comunidades. Outro desafio é o da identidade: a comunidade eclesial existe para proclamar a palavra de Deus, celebrar o mistério divino na liturgia e praticar a caridade. O serviço da caridade é o testemunho visível do amor a Deus e ao próximo, especialmente aos pobres.

Há um terceiro desafio: fomentar o protagonismo dos fiéis leigos, reconhecendo que cada cristão, cada batizado, é a presença viva da Igreja no contexto social onde ele vive, trabalha e se relaciona. É no mundo, e não fora dele, que o cristão dá testemunho público de sua fé e o bom exemplo como pai, mãe, profissional, cidadão. Comprometido com as realidades seculares e empenhado na transformação das mesmas, o leigo é a presença da Igreja no coração do mundo e a presença do mundo no coração da Igreja. Para tanto, é necessário que ele seja valorizado, incentivado e receba da Igreja sólida formação, no campo da teologia, espiritualidade, ciências humanas e sociais.

A perda de fiéis católicos, os inúmeros desafios do mundo urbano e da modernidade, a defesa de valores fundamentais da família, da justiça social, da ecologia, são motivações para a Igreja empreender novo entusiasmo missionário e renovado esforço evangelizador, recordando o mandato do Senhor ressuscitado aos apóstolos: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). 
 
Por Dom Pedro Luiz Stringhini, Bispo Diocesano de Mogi das Cruzes

 

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