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O Papa aos jovens em Cracóvia

A 31ª Jornada Mundial da Juventude foi concluída com a Missa presidida pelo Papa Francisco e acompanhada por cerca de 2 milhões de jovens de todo o mundo, no Campus Misericordiae – Campo da Misericórdia, em Cracóvia, na Polônia. Concelebraram cerca de 2 mil padres, 1.600 bispos e 25 cardeais.

Foram dias intensos para os jovens, que participaram intensamente dos diversos eventos programados para cada dia e também fizeram suas programações próprias, visitando igrejas, santuários e museus, ou confraternizando pelas praças e ruas da cidade antiga, culta e bela de Cracóvia, que foi capital da Polônia por cerca de oito séculos.

Os encontros com o Papa Francisco foram um presente para os jovens participantes, mas também para a juventude de todo o mundo. Sua empatia com os jovens foi imediata; usando uma linguagem familiar a eles, Francisco tocou em temas que interessam a juventude e os desafiou a viverem em profundidade sua jovem idade. “Estamos hoje aqui por causa de Jesus Cristo. Foi ele quem os chamou e vocês responderam; deixaram seus lares e seus afazeres, enfrentaram viagens longas peregrinações cansativas durante esses dias. Vocês são maravilhosos! É por ele que vieram aqui!”

E perguntou, em tom provocador: “Vocês querem viver em profundidade ou se contentam em viver pela metade? Busquem sempre Jesus Cristo, caminho, verdade e vida. Abram seu coração para o encontro com o Deus da misericórdia”. E se referiu aos jovens que não se lançam à busca de grandes ideais, que requerem generosidade e também sacrifícios, mas trazem grande alegria. Jovens “da poltrona”, que passam longas horas na Internet e já não se comunicam com mais ninguém pessoalmente… “É desolador ver certos jovens que já parecem velhos aos 20 anos de idade, ou que entregam os pontos, antes mesmo de terem iniciado a partida!”

E convidou os jovens a sonharem alto, a não deixarem que seus sonhos sejam roubados por quem lhes quer “vender” ilusões e modelos apenas confortáveis de vida. Há quem não goste do jovem questionador, cheio de iniciativas, que busca, deseja abrir caminho e assumir sua vida. E perguntou de novo, para desafiar os jovens, que seguiam atentos suas palavras: “Vocês querem que outros decidam sobre seu futuro? Sim ou não?”  E um coral de centenas de milhares de vozes respondeu uníssono: Não!

Essa resposta era sincera, pois foi precedida por uma caminhada de cerca de 10km, do centro de Cracóvia até o Campus Misericordiae, com mochila pesada às costas, debaixo do sol escaldante de verão e com o programa de dormir ao relento sobre a relva, debaixo das estrelas, ali mesmo, após a vigília, que precedeu a conclusão da Jornada. Eram jovens valentes e muito dispostos a abrir caminho, a descer da poltrona, a unir-se à multidão de peregrinos, em busca de algo importante. Sua resposta, portanto, era coerente e generosa. Esses jovens não querem ser meros expectadores, mas protagonistas da vida que passa!

Francisco referiu-se aos obstáculos que os jovens precisam enfrentar na vida, entre eles, o medo e a sensação de impotência diante dos grandes problemas do mundo: “O medo paralisa e contagia as boas disposições, tirando-lhes o vigor; o medo produz o fechamento em si mesmo, o desperdício de energias, a sensação de derrota… Não cedam ao medo, mas tenham a coragem de encarar a vida e de assumir o seu papel!” E referiu-se aos que querem impor medo aos outros pelo preconceito ou pelo terror, criando um clima de desconfiança geral: “Não cedam ao medo! Seria a vitória de quem lhes quer tirar o protagonismo!”

O Papa falou das ilusões que se vendem facilmente aos jovens: “Muitos tentam preencher seu coração com respostas falsas, com alienações, que tiram a sua vida ou a fazem ficar sem valor”. E referiu-se à “canábis” – maconha, e ao uso de drogas… Também mexeu com os jovens que perderam toda fibra e são vítimas do consumismo e do uso obsessivo das mídias sociais… “Não percam suas vidas, vocês valem muito! Deus os ama infinitamente, acreditem nisso!”

As mensagens do Papa sempre orientaram os jovens para a experiência da misericórdia de Deus, que conhece cada um de nós pelo nome e compreende nossas fraquezas e também nossa generosidade. E Francisco convidou os jovens a praticarem a misericórdia para com todos.

 

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo metropolitano de São Paulo

Artigo publicado no Jornal O SÃO PAULO Edição 3113 – De  3 a 8 de agosto de 2016

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