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O comunicador cristão é um “bom samaritano”

“Um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu, e moveu-se de compaixão.  Aproximou-se dele e tratou-lhe as feridas, derramando nelas óleo e vinho” (Lc 10,33-34a).

Caríssimos irmãos e irmãs da Igreja de Deus que se faz presente na Diocese de Jundiaí:

A Igreja em todo o mundo celebra o Dia Mundial das Comunicações Sociais no dia em que é celebrada a Festa da Ascensão do Senhor, neste ano, dia 1º de junho. Ao constatarem as grandes mudanças e questionamentos que ocorriam no mundo das comunicações sociais, os Bispos reunidos no Concílio Vaticano II, através do Decreto Inter Mirifica, sobre os Meios de Comunicação Social, decidiram estabelecer um dia para que se refletisse sobre o papel da comunicação na vida eclesial e de cada cristão. A cada ano, o Santo Padre publica uma Mensagem especial, apresentando-nos um tema para orientar a nossa reflexão.

A mensagem para o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais, a primeira escrita pelo Papa Francisco, traz como tema “Comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro”. Em sua Mensagem, o Papa utiliza-se da parábola do bom samaritano (Lc 10,29-37) como imagem de referência para o comunicador, sobretudo o comunicador cristão. Ele nos indica que se a nossa comunicação não nos ajudar a nos tornarmos mais próximos uns dos outros, não estamos servido à nossa profunda vocação humana e cristã: “Uma boa comunicação ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre nós, a ser mais unidos. (…) A cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber de outros. Os meios de comunicação podem ajudar-nos nisso, especialmente nos nossos dias em que as redes de comunicação humana atingiram progressos sem precedentes”.

O Papa Francisco nos questiona: como pode a comunicação estar a serviço de uma autêntica cultura do encontro? Ao propor como modelo a parábola do bom samaritano, ele nos aponta para o fato de que a comunicação deve ser entendida em termos de proximidade: “E quem é o meu próximo?” (Lc 10,29). “Na realidade, quem comunica faz-se próximo. E o bom samaritano não só se faz próximo, mas cuida do homem que encontra quase morto ao lado da estrada… comunicar significa tomar consciência de que somos humanos, filhos de Deus. Gosto de definir esse poder da comunicação como ‘proximidade’”.

O Santo Padre afirma, ainda, que a Igreja e os cristãos devem ir ao encontro das pessoas, devem percorrer as estradas no nosso mundo, onde as pessoas vivem. “Entre essas estradas estão também as digitais, congestionadas de humanidade muitas vezes ferida… Abrir as portas das igrejas significa também abri-las no ambiente digital… A comunicação contribui para dar forma à vocação missionária de toda a Igreja, e as redes sociais são, hoje, um dos lugares onde viver essa vocação de redescobrir a beleza da fé, a beleza do encontro com Cristo”.

Caros irmãos e irmãs da Diocese de Jundiaí: neste momento em que refletimos sobre a importância da comunicação, não posso deixar de exprimir a alegria da Igreja no Brasil que – após longa caminhada de reflexão, análise e práticas de comunicação vivenciadas nas dioceses, paróquias e comunidades – aprovou recentemente o Diretório de Comunicação para a Igreja no Brasil (Documentos da CNBB, n. 99).

O texto do Diretório foi apresentado aos Bispos na 51ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, ocorrida em 2013, e recebeu emendas e sugestões. A decisão final para aprovação ficou sob a responsabilidade do Conselho Permanente, que o aprovou no dia 13 de março.

O documento tem como principal objetivo motivar a Igreja para a reflexão sobre os aspectos da comunicação e sua importância na vida da comunidade eclesial e é composto por dez capítulos, que apresentam diferentes dimensões do fenômeno comunicativo. São eles: 1) Comunicação e Igreja em um mundo em mudanças; 2) Teologia da Comunicação; 3) Comunicação e vivência da fé; 4) Ética e comunicação; 5) O protagonismo dos leigos na comunicação evangelizadora; 6) A Igreja e a mídia; 7) Igreja e mídias digitais; 8) Políticas de Comunicação; 9) Educar para a comunicação; 10) Comunicação na Igreja: atuação da Pascom (Pastoral da Comunicação).

Agora, a Igreja tem um documento oficial sobre a comunicação e as paróquias, comunidades, pastorais e movimentos eclesiais são chamados a estudá-lo, confrontando as suas propostas com a realidade local, buscando melhorar a própria comunicação. E, como nos lembra o Papa Francisco, fazer-nos próximos: “Não podemos viver sozinhos, fechados em nós mesmos. Precisamos amar e ser amados. Precisamos de ternura. Não são as estratégias comunicativas que garantem a beleza, a bondade e a verdade da comunicação… só pode constituir um ponto de referência quem comunica colocando-se a si mesmo em jogo. O envolvimento pessoal é a própria raiz da confiabilidade de um comunicador. É por isso mesmo que o testemunho cristão pode, graças à rede, alcançar as periferias existenciais”.

E a todos abençoo, particularmente os envolvidos com os Meios de Comunicação Social.

Dom Vicente Costa, Bispo Diocesano de Jundiaí

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