Igreja no Brasil

No 1º de Maio: a transformação do Brasil passa por garantia de vida, trabalho digno e democracia  

Em sintonia com os caminhos apontados pelo papa Francisco e a partir dos desafios da realidade nacional e global, a 6ª Semana Social Brasileira, a Rede Jubileu Sul Brasil e Pastoral Operária, dentre outras, realizam uma série de iniciativas, nestes meses de maio e junho, em torno do direito à vida, da democracia e do direito à terra, ao teto e ao trabalho

“Não há democracia com fome, nem desenvolvimento com pobreza, nem justiça na desigualdade”. Quando pronunciou essas palavras em junho de 2019, durante exposição na Cúpula Pan-Americana de Juízes, o papa Francisco sintetizava os problemas fundamentais do nosso tempo.

Dois anos depois, e com uma pandemia que já retirou mais de três milhões de vidas, as palavras do papa Francisco são ainda mais necessárias. Tomemos a realidade brasileira.

Como garantir justiça num país que tem 11 novos bilionários enquanto 55% da população vive em insegurança alimentar? Como pensar em desenvolvimento num país em que 12,8% da população vive com menos de R$ 246 por mês? Como falar em democracia num país em que 20 milhões de adultos, crianças e idosos passam fome todos os dias?

Para Jardel Nunes, coordenador da Pastoral Operária, esses dados escancaram as consequências da lógica do modo de produção capitalista e de um Estado orientado aos interesses desse modelo. “Essa ofensiva do capital sobre o trabalho, o Estado e o meio ambiente já era crescente antes da pandemia, mas se agravou na última década com a resposta favorável do Estado ao capital, implementando medidas que retiram ou minimizam direitos, desfavorecendo a classe trabalhadora”.

Análise semelhante é feita por Carmela Zigoni, assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). Em seu entendimento, esse quadro “revela que o projeto de exclusão dos mais vulneráveis está cada vez mais avançado” e evidencia o racismo estrutural, já que “as pessoas mais afetadas neste cenário são negras”.

O sociólogo Clemente Ganz Lúcio enfatiza que o aumento das desigualdades, especialmente a partir de 2016, resultam de políticas de precarização do trabalho e da diminuição da presença industrial na economia do país. “A saída e o fechamento de empresas, portanto, a perda de empregos de melhor qualidade no setor industrial, tem um reflexo muito negativo sobre toda a estrutura do mundo do trabalho”, avalia.

Alguns índices da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua, realizada pelo IBGE, confirmam o dito pelo sociólogo: 14,3% milhões de brasileiras e brasileiros estão desempregados; a taxa de desemprego no país está acima de 14%; aproximadamente 40% dos trabalhadores com empregos estão na informalidade; quase 6 milhões de pessoas estão “desalentadas”, ou seja, estão desempregadas, mas não buscaram trabalho porque não veem nem mesmo possibilidade de conseguir.

De acordo com Clemente, esses números demonstram a gravidade da crise sanitária, mas, acima de tudo, a situação de desigualdade socioeconômica que caracteriza o Brasil. “Com a pandemia, isto se agravou de maneira muito acentuada. Desemprego crescente, nível de inatividade e desalento muito alto e também a geração de postos de trabalho precarizados, jornadas extensas, baixos salários, péssimas condições de trabalho.  Tudo isso contribuindo para que a desigualdade cresça no Brasil, para que a situação de pobreza e miséria volte a crescer”, aponta.

Neste 1º de maio, sábado, às 19h30, será realizado o segundo momento Ao Vivo “Mutirão pela Vida – por Trabalho e Democracia”, com transmissão ao vivo pelos canais da Rede Jubileu Sul Brasil e da Semana Social Brasileira no Facebook e no Youtube.

Confira a notícia na íntegra.

Texto Paulo Victor Melo | Rede Jubileu Sul Brasil. Com informações do site da 6ª Semana Social Brasileira

 

 

 

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