Com a palavra o Presidente

Missão: Nova Evangelização

 

O Domingo das Missões, no Ano da Fé, recorda-nos que a verdadeira obra missionária da Igreja é fruto da fé: o desejo de anunciar e de partilhar a experiência gratificante da fé nasce da alegria de crer e da consciência sobre a preciosidade do dom recebido, que não deve ser escondido nem conservado somente para si.

Eis o motivo porque no esforço da Nova Evangelização a Igreja convidou a todos os seus filhos a celebrarem o Ano da Fé. Sem se refazer na origem da fé, que é o encontro com Deus por meio de Jesus Cristo, não haverá ardor missionário nem renovação da Igreja. Na linguagem da Conferência de Aparecida, isso significa que, para ser missionários, é preciso, antes de tudo, ser discípulos.

Recentemente, na audiência concedida aos membros do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, o papa Francisco resumiu em três pontos as necessidades mais prementes da Nova Evangelização: o primado do testemunho, a urgência de ir ao encontro dos outros e um projeto pastoral centrado no essencial.

O anúncio do Evangelho é confrontado hoje, muitas vezes, com a indiferença de quem já não lhe dá importância e não tem interesse em ouvi-lo. Como despertar nos corações um renovado interesse pela mensagem da salvação? Aqui entra o papel do testemunho de quem crê. É muito importante que os cristãos mostrem a sua fé através de convicções firmes, da vida coerente com ela, da alegria e da serenidade que ela traz. Mostrem, por outro lado, que a fé muda a pessoa para melhor e a torna humanamente rica de virtudes.

Esse testemunho fará com que outras pessoas se interroguem sobre as razões da fé, da alegria, da luz e da fortaleza que ela traz; a fé não livra magicamente de todos os problemas, mas oferece vigor e compreensão nova para as várias situações da vida, mesmo dos sofrimentos. A fé traz consigo a esperança revigorante e a caridade operosa. Hoje, como no passado, esses testemunhos fidedignos da fé são muito necessários para atrair para Jesus Cristo e para a beleza do encontro com Deus!

A Nova Evangelização também é a renovada busca do encontro com quem perdeu a fé e o sentido profundo da vida. Isso faz parte da própria razão de ser da Igreja: o Filho saiu do Pai e veio ao mundo, ao encontro da humanidade, para lhes trazer a vida; da mesma forma, ele enviou os discípulos ao encontro de todos os povos para lhes levar a Boa-Nova da salvação. Cada cristão, fiel a Cristo, também tem a vocação de ir ao encontro dos outros, de dialogar com quem pensa diversamente de nós, ou que perdeu a fé.

Ninguém está excluído da esperança, da vida e do amor de Deus. A Igreja é enviada ao mundo para levar a todos essa esperança, especialmente a quem está sufocado por condições de vida adversas e, por vezes, desumanas. Em toda parte, faz falta o “oxigênio do Evangelho”, o sopro do Espírito de Cristo ressuscitado, que reacende a fé e a esperança nos corações. Disse o papa Francisco: “A Igreja é a casa onde as portas estão sempre abertas, não apenas para que cada um entre, encontre acolhida e possa respirar amor e esperança, mas também para que nós possamos sair e levar aos outros esse amor e essa esperança; o Espírito Santo nos impele a sair do nosso recinto e a nos conduz às periferias da humanidade”.

Isso, porém, não se improvisa, mas requer o esforço comum de um projeto pastoral voltado para o essencial e que seja centrado na essência, ou seja, em Jesus Cristo. “Não devemos nos perder em tantas coisas secundárias e supérfluas, mas é preciso se concentrar sobre a realidade fundamental, que é o encontro com Cristo e a sua misericórdia e seu amor, e com o amor aos irmãos (cf. “L’Osservatore Romano”, ed. de 14/15.10.2013)

Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e Presidente do Regional Sul 1

Artigo publicado no Jornal O São Paulo, Ed. 2975 – 22 a 28 de outubro de 2013

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