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Intensos debates marcaram o segundo dia da 5ª SSB

DSC08907O segundo dia da 5ª Semana Social Brasileira (SSB), que teve início no dia 2 de setembro e se estenderá até o dia 5, foi marcado por testemunhos dos representantes dos impactados pelo Estado e das comunidades tradicionais marcadamente prejudicadas pelas ações do capitalismo desenfreado.

As atividades desta terça-feira (3) tiveram início com Celebrações Eucarísticas nos três locais de hospedagem dos delegados: Centro Cultural de Brasília, Cáritas Nacional e Casa Assunção. No CCB presidiu a Eucaristia o bispo de Pesqueira, PE, e integrante da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz dom José Luiz F. Salles. “Se há marginalizado, é porque há um Estado que marginaliza. Há dragões de muitas cabeças humilhando e oprimindo o povo. É preciso lutar sempre contra esse dração”, disse na homilia.

A primeira rodada de socialização, em forma de testemunhos, a partir dos impactados pelo Estado, foi ouvida com muita atenção pela assembleia. Entre os impactados, testemunharam: a representante dos pescadores e comunidades ribeirinhas, que falou sobre a tradição milenar que está sendo ameaçada pelo sistema de Estado que “oprime em nome de um modelo desenvolvimentista”. “O neo desenvolvimentismo tem duas frentes de ação no país: o agro negócio e a exploração mineral. O sistema capitalista se apodera das terras das comunidades tradicionais para desenvolverem seus negócios e destruir a natureza e a vida”, disse o representante dos impactados pela exploração mineral.

Outro grupo de impactados é o desalojado pelas obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas. “A Copa e a Olimpíada nada têm a ver com o esporte, mas com o lucro do capital, da retirada dos direitos, da discriminação social. Já passa de 250.000 o número de desalojados pelas obras da Copa, número que tende a aumentar”. Outro dos graves problemas diz respeito à segurança: em respeito à exigências da FIFA, a polícia não é preventiva, mas repressiva. Proibe-se a livre circulação de pessoas.

O representante dos povos indígenas apresentou pesquisa do Instituto Perseu Abramo que mostra que 70% do povo brasileiro acredita que os povos indígenas estão correndo risco de extinção. “A propaganda oficial diz lá fora que 95% das terras indígenas estão demarcadas, mas a realidade mostra que mais de 60 aguardam demarcação.” “Estamos diante de uma distopia, utopia negativa, que está distante da utopia do Reino de Deus”, completou. Ainda testemunharam os representantes dos afetados pelas mudanças ambientais (fruto, por exemplo, da construção das usinas hidroelétricas) e dos povos quilombolas, oprimidos em uma região pela Marinha Brasileira, em outras regiões pelo avanço do agro negócio e exploração mineral.

Na continuidade da programação, foram ouvidos relatos e testemunhos sobre o Estado e a Educação e Cultura; Estado e Dívida Pública; estado e Juventude; Estado e Saúde Pública; Estado e Trabalho; Estado e Transporte público gratuito; Estado e Reforma Agrária. Todos esses depoimentos visaram também uma Reforma Política.

Os trabalhos foram encerrados na tarde desta terça-feira com a “Fila do Povo”, onde mais subsídios foram apresentados para o documento final e também provocaram intensos debates entre os “ouvidores” e a assembleia, enriquecendo os trabalhos da 5ª Semana Social Brasileira. Esse trabalho foi coordenado pela irmã Delci Franzen.

De Brasília, diácono José Carlos Pascoal, do Fórum das Pastorais Sociais da CNBB Sul 1. créditos da foto: Assessoria de Imprensa da CNBB

CNBB e entidades lançam Coalizão Democrática pela Reforma Política e Eleições Limpas – Uma campanha cívica, unificada e solidária. Assim se define a Coalizão Democrática pela Reforma Política e Eleições Limpas, lançada na tarde desta terça-feira, 03 de setembro, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em Brasília (DF). Na presença de representantes de mais de 100 entidades da sociedade civil, foi apresentada a proposta de projeto de lei de iniciativa popular em prol do fortalecimento dos mecanismos de democracia direta.

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Na foto, cardeal Raymundo Damasceno no lançamento da Coalizão Democrática pela Reforma Política e Eleições Limpas

“A CNBB acolhe com satisfação os parceiros de sempre”, disse, na abertura do evento, o presidente da entidade, cardeal Raymundo Damasceno Assis. Ele destacou a presença dos participantes do seminário nacional da 5ª Semana Social Brasileira. “A união de todos os membros é essencial para enfrentar a luta e vencê-la. Estamos aqui para continuar fortalecendo esta nossa missão comum que, com as bênçãos de Deus, haverá de produzir bons frutos”.

No ato público, foram apresentados os principais pontos da proposta: 1) afastar a influência do poder econômico das eleições, proibindo a doação de empresas; (2) necessidade de reformular o sistema político, incluindo a questão de gênero e estimular a participação dos grupos sub-representados; (3) regulamentação do artigo 14 da Constituição, em favor da democracia direta; (4) melhorar o sistema político partidário, aumentando a participação de militantes e filiados em torno de um programa político; (5) fidelidade partidária programática.

IMG 8710 640x427Os representantes dos diferentes organismos destacaram no evento a urgência para que a Reforma Política possa entrar na pauta do Congresso Nacional ainda este mês e valer já para as eleições de 2014. “Será preciso articular todas as entidades para envolver a sociedade nesse debate. A nossa luta nesse momento é a busca por mais de 1,5 milhão de assinaturas nesse projeto”, explicou dom Joaquim Giovani Mol, que preside a Comissão da CNBB para a Reforma Política.

“Precisamos explicar para a população os pontos de nossa proposta, já que há uma indignação com a forma como vivemos a política em nosso país”, completou dom Mol. Ele destacou a força das entidades presentes, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), União Nacional dos Estudantes (UNE) e as diferentes igrejas cristãs em torno desse objetivo. “Esse mês será de grande trabalho para todas essa entidades”.

Após o ato público, os representantes das entidades assinaram um Manifesto: CNBB, OAB, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Plataforma dos Movimentos Sociais, Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Central Única dos Trabalhadores, UNE, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs e a Frente Parlamentar pela Reforma Política. Em seguida, os representantes se reuniram para detalhar como será feita a coleta de assinaturas em todo o país.

Fonte: Site da CNBB

 

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