Destaques Entrevista Especial

Homens que rezam

Thiago Leon

O terço na mão e no coração dos homens

Surgido espontaneamente por todo o Brasil, por dioceses e em alguns regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Terço dos Homens, um movimento de leigos, tem o intuito de reunir homens para rezarem o terço pela santificação das próprias famílias e servindo a igreja local, em comunhão com os demais serviços e pastorais.

O portal do Regional Sul 1 da CNBB conversou com o assessor Nacional do Terço dos Homens Mãe e Rainha, padre Vandemir José Meister, e diretor Nacional do Movimento Apostólico de Schoenstatt, para entender como está articulada essa iniciativa vinculada ao Movimento Apostólico de Schoenstatt, e como este trabalho se abre a maiores possibilidades de ações comunitárias. “Os Grupos do Terço têm trazido propostas dinamizadoras para as comunidades. Organizando peregrinações, procissões, reformas dos espaços comuns, ajudas sociais aos mais necessitados, entre outas ações”. Confira a entrevista completa:

Padre, fale-nos um pouco sobre a origem do Terço dos Homens?
O Terço dos Homens, ou melhor, grupos de homens que rezam o terço não é novidade na história da Igreja. No centro europeu, na idade média e moderna, existiram grupos de homens rezando o terço. No Brasil, logo no início, missionários, mais especificamente em Pernambuco, organizaram os primeiros grupos de homens rezando o terço, chamado Terço dos Homens Pretos. Eram os escravos, que ao findar o dia, eram reunidos pelos missionários para a recitação desta oração. Em conversas com Dom Gil Antonio Moreira, Arcebispo de Juiz de Fora (MG), ele comentou que em seus estudos sobre a piedade mineira, lembra de ter encontrado escritos sobre este fenômeno. O Servo de Deus João Luiz Pozzobon, que começou com a Campanha da Mãe Peregrina, também criou um grupo de homens rezando do terço, mas não perdurou por muito tempo. Houve diversas iniciativas na história.

O que temos agora, no acontecer da história da Igreja no Brasil, é uma nova irrupção da ação do Espírito Santo. Com uma iniciativa de um grupo, foi crescendo e conquistando cada vez mais outras regiões do Brasil, e que hoje podemos dizer que já está presente em todos os regionais da CNBB. O crescimento atual do Terço dos Homens teve início da década de 90, mais precisamente entre 1994-1995 quando um grupo de homens se reunia junto a Mãe Peregrina (Mãe Rainha) em Maceió – (AL). Esta iniciativa foi levada por uma senhora missionária da Mãe Peregrina, chamada Sra. Oneida Araújo da Silva até sua comunidade paroquial em Jaboatão dos Guararapes – (PE), que convidou um grupo de homens para rezar periodicamente o terço. Este grupo sob a coordenação do Sr. Antônio Santos levou quase 2 anos para dar início a iniciativa apresentada por tal senhora, iniciado em 05 de março de 1997 com um grupo de 15 homens rezando o terço. O padre José Pontes acompanha o trabalho dos missionários da Mãe Peregrina. Essa iniciativa leva um grupo de homens para o Santuário da Mãe Rainha para rezar o terço em oferecimento à Ela, no mês de maio. Sob a liderança do Sr. Antonio Medeiros Costa Filho reúnem-se 12 homens e rezam o Terço. Este grupo organizou um Manual do Terço, com elementos da espiritualidade da Mãe Rainha. Não era somente a recitação do terço, mais organizaram uma liturgia própria para o momento que se encontravam os homens para a recitação do terço.

www.schoenstatt.org.br

Pe. Vandemir como compreender a expansão dos Grupos do Terço nas diversas regiões do Brasil?
Para compreender essa expansão temos que considerar algumas dinâmicas.

Primeiro, a dinâmica da ação do Espírito Santo. Não existia nada pensado, nada planejado. Então podemos dizer que os homens não tinham planejado, mas estava planejado nos planos de Deus, que ocorresse um grande movimento de homens rezando o terço do Brasil.

Segundo, aquele grupo de homens no Santuário da Mãe Rainha elaborou algumas dinâmicas com criatividade interessante. Elaboraram um Manual com uma mística, cada homem que vinha se comprometia em trazer um amigo para o encontro na semana seguinte, e a implantação de novos grupos nas capelas e paróquias segundo o mesmo manual.

Terceiro, os agentes missionários: Os meios de comunicação, especialmente a TV, veicularam várias reportagens deste grupo de Homens rezando o Terço no Santuário da Mãe Rainha. Também homens concretos que saiam implantando novos grupos. Dois sacerdotes (Pe. Miguel Lencastre e Pe. Antônio Maria Borges) entusiasmados com os grupos dedicaram-se a viajar, difundir e implantar novos grupos em outras regiões. E a própria pastoral da Mãe Peregrina nas paróquias abriu campo para a expansão dos grupos em todas as regiões do Brasil.

Com o tempo foram nascendo grupos que se espelhavam nos acima mencionados e foram tendo iniciativas próprias, e o resultando foi o crescimento Brasil afora.

Atualmente esse movimento está articulado a nível Regional (estado de São Paulo)?
O ‘Terço dos Homens Mãe Rainha’ se organiza segundo a estrutura dos Regionais da CNBB e das dioceses. Em cada regional tem uma coordenação de leigos que ajuda na dinâmica da pastoral do Terço dos Homens. Ainda está sendo um desafio a constituição e articulação destas coordenações de leigos nos Regionais, mas em  Alguns já estão constituídas. Uma das dificuldades é o tamanho geográfico de alguns regionais. Temos o desafio de articular, a partir dos grupos diocesanos do Terço dos Homens, a coordenação Regional. No Regional Sul 1 estamos trabalhando nesta articulação.

Foto – Julio Grandi – THMR

Que dinâmica importante trouxe para a Igreja os grupos do Terço dos Homens?
Nesta iniciativa, que é mais de Deus do que dos homens, nós somos apenas instrumentos, e trouxe uma nova dinâmica para a Igreja.

Primeiramente, a presença masculina dentro da Igreja. Os homens mal participavam da santa missa dominical. Agora temos uma pastoral com uma vitalidade própria trazendo os homens para a Igreja através dos Grupos do Terço.

Segundo, poderíamos dizer que é uma porta de conversão. Homens aproximando-se novamente da Igreja através do Terço. Desta forma, há muitos homens voltando a frequentar os sacramentos e à participação ativa na Igreja.

Terceiro, trata-se de uma contribuição ativa para as comunidades paroquiais, onde os homens estão assumindo responsabilidades nas iniciativas comunitárias. Isto é fundamental, pois os homens se sentem úteis e ali eles dedicam suas forças. Muitos párocos estão contentíssimos com a presença masculina em suas comunidades, pois abre-se uma maior possibilidades de ações comunitárias.

Quarto, os próprios Grupos do Terço têm trazido propostas dinamizadoras para as comunidades. Organizando peregrinações, procissões, reformas dos espaços comuns, ajudas sociais aos mais necessitados, homens envolvendo-se com a música religiosa, entre outras.

 

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