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Eucaristia e compromisso cristão

A presença real de Jesus na Eucaristia é um Mistério profundo que nos remete a outro grande Mistério: o Mistério da Encarnação. Como sabemos, todos os mistérios divinos são expressões perfeitas do Amor levado ao extremo, que é a própria identidade de Deus (1Jo 4,8).

Jesus o Verbo de Deus, “rebaixou-se” ao assumir um corpo humano em Maria, depois rebaixou-se mais ainda, ao assumir estar no pão e vinho. Tudo isso por amor a nós, para que pudéssemos ser salvos pela sua entrega, seu sacrifício na cruz. Pela sua morte e ressurreição Jesus nos abre as portas para a redenção, ou seja, para participarmos plenamente da filiação divina que ele para nós conquistou. Depois de nos dar a vida com sua morte na cruz ele quis continuar alimentando esta vida cotidianamente, pela comunhão eucarística.

Não é um alimento qualquer, que apenas sustenta a vida do corpo. Na Eucaristia, Jesus nos alimenta com sua divindade feita carne, para nos dar a vida divina que é vida no amor. A doação que Jesus fez de sua vida por nós não se encerra no momento histórico da crucifixão, mas é uma doação permanente…um “sacrifício perpétuo”. A cada vez que comungamos o corpo ressuscitado do Senhor, estamos recebendo de presente a vida eterna, a vida de ressuscitados, a vida de Jesus Cristo que venceu a morte.

A Antiga Aliança era escrita sobre “tábuas de pedra”, era letra que condenava, mas a Nova Aliança  é escrita no coração, em “tábuas de carne”, é letra que comunica a vida gloriosa e duradoura (2Cor 3,3-11). É a aliança definitiva. Em Jesus Cristo o homem pode unir-se definitivamente a Deus. Assim podemos chamar a Eucaristia de sacrifício da nova e eterna aliança.

Jesus se dá para que tenhamos a sua vida em nós. E ter em nós a vida de Deus que é amor, significa assumir o compromisso de amar como ele amou. Foi por isso que ele nos deu “o novo mandamento” (Jo 13,34) junto com a instituição da Eucaristia. Dando-se a nós na Eucaristia ele nos capacita para amar como ele amou.

A Eucaristia nos compromete a viver o amor (1Cor 13, 1-8). Comungar é ter “os mesmos sentimentos de Jesus” (Fl 2,5), ou seja, é deixar que em nós, o “homem velho” – corrompido pelo pecado, vá aos poucos, dando lugar ao “homem novo” que é Jesus até que “já não sejamos nós a viver, mas Cristo em nós” (Gl 2,20). A comunhão eucarística vai construindo em nós este homem novo se soubermos acolher com fé em nosso coração a graça da participação na Eucaristia.

É a partir desta realidade transformadora de Cristo Eucarístico em nós, que podemos ter forças para trabalhar e nos empenhar no compromisso da construção do Reino de Deus, que é uma sociedade justa e fraterna. Sem o fundamento da Eucaristia a Igreja perde a direção do Reino e sua dimensão transcendente. Mas com a Eucaristia ela continua renascendo e se fortalecendo a cada dia.

Por Dom Pedro Carlos Cipolini, Bispo Diocesano de Amparo   

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