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Entrevista: Projeto Missionário e CRB-SP enviam religiosas para Amazônia

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Da esquerda para direita: As irmãs Isabel, Julia e Luiza

O Projeto Missionário Sul 1 da CNBB (São Paulo) – Norte 1 (Norte do Amazonas e Roraima), em parceria com a Conferência Nacional dos Religiosos do Brasil (CRB) – Regional São Paulo, envia três religiosas em missão em Tabatinga, Diocese de Alto Solimões, região da Amazônia. O grupo é formado pelas Irmãs Isabel Patuzzo, missionária da Imaculada (PIME); Julia Maria Peccim, dominicanas de São José Ilanz e Luiza Ferreira da Silva, da congregação Sagrada Família de Bordeaux. Antes de embarcar, as religiosas concederam esta entrevista exclusiva ao Informativo do Regional Sul 1 e falaram sobre a nova missão na Amazônia.

A ENTREVISTA

Bom, pra começar, gostaria que vocês falassem sobre a ideia de partir para missão na Amazônia. Partiu de vocês mesmos ou houve alguma sugestão por parte da CRB ou do Regional?
Isabel Patuzzo: O convite, claro partiu da CRB, mas porque eu já havia me colocado à disposição de minha Congregação para um serviço missionário em área de fronteiras. Como membro de uma Congregação, cujo carisma específico é a missão sinto uma grande alegria de poder dar esta contribuição com a Missão na Amazonia, pois acredito que a missão da Amazônia é responsabilidade de todos nós missionários.

Julia Maria Peccim: O partir em missão para a Amazônia sempre foi uma fecunda semente em meu coração de religiosa consagrada no Carisma de “Viver a misericórdia para com os mais necessitados”. Dizia nosso fundador, Pe. João Fidel Depuoz: “Nossa missão deve ir tão longe quanto o amor de Deus”, ou seja, não existe fronteira para amar e viver essa vocação de filha de Deus. Quando surgiu o desejo da continuidade do projeto pela CRB, a Provincial me disse que havia colocado nosso nome para uma irmã participar e então que tinha pensado em mim. Claro que essa fora a melhor notícia para mim; sem  pensar onde eu rezava no mês missionário Out/2012: leva-me Senhor aonde necessitem tua Palavra, necessitem a força de Viver. Desde então iniciei o processo de preparação para esse fim. Agora já estou com as irmãs Luiza e Isabel as portas da Missão na Amazônia.

Luiza Ferreira da Silva: O apelo missionário já estava presente em meu coração, desde que me tornei religiosa. Mas, ainda não havia chegado o momento. A ideia de ir para a missão da Amazônia surgiu a partir de um pedido feito pela CRB\SP para as congregações, em um encontro. Escutando o pedido, senti um desejo de ir para essa missão, depois de refletir um pouco mais, conversei com minha provincial, ela levou o assunto para o conselho e meu pedido foi acolhido.

O projeto existe desde 1994 pelos Bispos do Estado de São Paulo e mais tarde a CRB aderiu a iniciativa. Já tinham ouvido falar sobre o Projeto?
Isabel Patuzzo: Eu pessoalmente já conhecia o projeto, pois minha congregação já enviou irmãs para contribuir neste trabalho missionário. Porém, ao ser escolhida e enviada exige um melhor conhecimento do projeto e uma preparação específica para atuar nesta realidade eclesial, a qual conheço pouco.

Julia Maria Peccim: Sim, eu já conhecia pelas experiências da comunidade em Manacari/AM. Também a minha Diocese de origem Barretos/SP tem essa presença missionária com os sacerdotes e seminaristas que de tempos em tempos são solidários com a ajuda missionária na Amazônia e também em regiões do Nordeste. E com certeza pela interpelação de nossos irmãos e irmãs doando suas vidas junto ao povo dessa realidade, que tantas vezes debatidos em meios de comunicação, revistas, despertando em mim esse estar atenta ao chamado e grito vindo da Amazônia.

Luiza Ferreira da Silva: Sim, já tinha ouvido falar, inclusive conheci uma das irmãs que participaram do projeto de Manaquiri.

A CRB – SP, durante 15 anos manteve uma comunidade Intercongregacional, na cidade de Manaquiri, na Arquidiocese de Manaus, AM. Quais os planos para a nova comunidade? Já Existe alguma previsão de trabalho pastoral por lá?
Isabel Patuzzo: Minha congregação participou do projeto missionário de Manaquiri por três anos, portanto já o conhecia. Estou sendo enviada à um novo projeto que deve durar 20 anos, na diocese do Alto dos Solimões, com sua sede em Tabatinga. Participei do curso missionário no Centro Cultural Missionário (CCM) em Brasília, especificamente para missionários que irão atuar na região da Amazônia, mas penso que meu primeiro trabalho será conhecer a realidade missionária da Diocese. Vou com a disposição de me colocar totalmente a serviço desta Igreja Local em tudo o que for possível, sobretudo na área de animação missionária e possivelmente na área da educação. Nossa Comunidade será Inter congregacional e a minha expectativa é que será uma riqueza muito grande, pois nossa Igreja tende a se fortalecer cada vez mais na partilha dos diversos carismas religiosos servindo uma mesma realidade eclesial.

Julia Maria Peccim: Ainda é cedo para ter planos. Sendo definido entre a CRB, o Regional e a Diocese de Tabatinga/AM, onde vamos viver a missão. A única certeza é o empenho, a disposição e a preparação nossa para sermos uma comunidade que dê certo e que colaboremos com o desejo da necessidade local. Por enquanto precisamos aguardar a chegada e conhecer,  sermos conhecidas pelo povo para assim com eles e a Diocese elaborar o planejamento missionário.

Luiza Ferreira da Silva: Não  creio que estejamos indo com um plano traçado, mas acredito que estamos abertas para nos integrar na missão da Igreja de Tabatinga. Como uma comunidade religiosa, partimos  assumindo os desafios  e exigências de uma comunidade intercongregacional , acreditando que é possível viver a comunhão e partilhar um pouco de nossa vida de fé  em novas terras, onde, com certeza, vamos aprender muito, conhecer outras experiências, sonhar novos sonhos.

Vocês estão viajando em missão para Amazônia. É a primeira vez que vão fazer essa experiência missionária? Como foi o convite para participar deste projeto?
Isabel Patuzzo: É a primeira vez que estarei tendo contato com a realidade da Amazônia. Já trabalhei como missionária além-fronteiras por treze anos na China, mas cada missão tem a sua realidade específica, e isto exige do missionário um período de conhecimento da realidade, adaptação, inserir-se na realidade. O processo de inculturação não é automático, e lento, mas é de grande enriquecimento pessoal. É como disse São Francisco: É dando que se recebe. A missão é um enriquecimento mútuo de dar e receber.

Julia Maria Peccim: Na Amazônia é a primeira experiência. Já estive por dois anos no Piauí na missão pastoral com o povo da periferia de Teresina e na Colaboração com a Vida religiosa como secretária da CRB, e uma experiência de seis meses na Suíça na cidade de Ilanz servindo na enfermaria no cuidados de nossas irmãs mais idosas. O convite como eu já disse, chegou pela Provincial que tem essa responsabilidade de nos enviar dentro das necessidades do nosso tempo, claro que sendo isso de maneira organizada e em comunhão, como tem sido com esse projeto: CRB, CONGREGAÇÕES, O REGIONAL E A DIOCESE. Esse projeto veio de encontro num momento muito propício, pois penso que o mais importante na pessoa enviada é a sua sintonia com a vontade de Deus e a sua disposição interior para viver essa escolha. Sinto que aconteceu esse processo comigo e tudo foi sendo encaminhado segundo o desígnio de Deus. Estou muito feliz de participar e vou seguindo com uma confiança de que Jesus já nos espera na realidade da Amazônia.

Luiza Ferreira da Silva: É a primeira vez que vou para essa experiência missionária. Minha congregação escutou o pedido da CRB\SP e o  meu desejo, entrou em contato com as responsáveis e, sendo aceita, estou sendo enviada. Minha experiência missionária, como religiosa, até agora estava mais localizada em São Paulo. Como auxiliar de enfermagem e  Terapeuta Ocupacional, desenvolvi trabalho na área da saúde, em especial, num asilo para senhoras mantido por minha congregação religiosa. Atuei na CRB, como membro da Equipe Executiva. Minha atuação pastoral, ultimamente, tem sido junto à Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, na Diocese de Campo Limpo e com a população de rua, por meio da  Associação Rede Rua.          

Qual a expectativa para a missão na Amazônia?
Isabel Patuzzo: O desejo é de partir logo. Já estou esperando a seis meses, desde que minha Congregação decidiu me enviar a este projeto. Tem esperado muito por este momento de partir. O coração já esta lá. Estou vivendo esta espera como tempo de preparação, mas estou partindo sem levar projetos pré-concebidos. Vou com a disposição de acolher esta missão em tudo que ela comportar. Meu grande desejo é somar forças, para a Igreja do Amazônia se fortaleça com nossa contribuição.

Julia Maria Peccim: Não criei muitas expectativas para a missão, apenas o querer viver intensamente como discípula de Jesus, ou ainda ser uma pessoa com o coração e atitude do “Bom samaritano”, generosa e comprometida com causa do Reino. Posso sentir sim o desejo de dar o melhor para colaborar naquilo que for preciso, colocando meus dons a serviço e sendo promotora da justiça e da paz, na graça e benção de Deus, confiando como Maria: “Eis aqui a serva do Senhor”.

Luiza Ferreira da Silva: Estou indo com disposição de colaborar com a igreja local, contribuindo com meus dons, aberta a responder  e assumir com responsabilidade a missão que me for  indicada, sendo presença de vida religiosa. Sei que é preciso começar por acolher, conhecer um mundo novo para mim, em meio à Floresta Amazônica, em meio às águas, e também ser conhecida pelas pessoas.  O mesmo Jesus que me chamou está  aguardando lá, com o rosto do povo do Amazonas.

Sobre o futuro, já estão pensando em algo ou ainda é cedo para falar sobre isso?
Isabel Patuzzo: Creio que o futuro exigirá muita disposição interior para aprender coisas novas. Sei que os meios de transportes na Amazônia, diferentemente do sul, é através dos rios, isto significa ter uma relação diferente com o tempo, com as pessoas, com a natureza etc.

Julia Maria Peccim: Penso que o futuro a Deus pertence, como diz nosso povo. Mas sonho com Ele para viver hoje e o amanhã uma realidade de comunhão na nossa Igreja e que esse projeto se multiplique abrindo novas portas para as gerações juvenis da Igreja, religiosas e sacerdotes. Sendo semeadores sem fronteira e discipulado missionários da caridade, da justiça como nos incentiva o nosso Papa Francisco. Peço a Deus sempre em minhas orações para florescer na Igreja vocações de coragem e disponibilidade missionária.

Luiza Ferreira da Silva: Sobre o futuro, acredito que ainda seja cedo para falar sobre isso.

Alguma mensagem para os leitores do Informativo?
Isabel Patuzzo: A mensagem que gostaria de deixar é que a missão no Amazônia é tarefa de todos nós, pois pertencemos a uma Igreja universal. O Amor de Deus é universal, e como discípulos  missionários devemos nos colocar à disposição de sermos enviados. Este é um projeto abrangente e envolve Sacerdotes, leigos e religiosas. Espero que não faltem pessoas que no futuro possam também contribuir com esta missão.

Julia Maria Peccim: “Vinde e vede”, se vocês desejam servir a Deus podem também, arrisque, faça valer sua fé sendo as mãos, os pés e se possível o coração de Jesus no nosso mundo. Servido, amando e rezando nós iremos ser fieis a Vocação de filhos e filhas de Deus, em Jesus cristo. Obrigada pela oportunidade, rezem por nós e que Deus abençoe a todos.

Luiza Ferreira da Silva: Que possamos pensar que viver  a comunhão é possível, em qualquer lugar. Depende de cada um/a de nós.  Rezem por nós, para que possamos viver essa comunhão no amor de Deus, em nossa Missão.

Para saber mais sobre o Projeto Missionário, acesse o site https://www.cnbbsul1.org.br/projeto-missionario/

A Entrevista foi concedida ao jornalista Renato Papis, Mtb, 61.012/SP do Regional Sul 1 da CNBB com colaboração da CRB-SP.

 

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