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Encíclica “Laudato si”

Laudato si (louvado sejas) é o título da encíclica do Papa Francisco, cujo subtítulo “sobre o cuidado da casa comum” indica que o assunto é ecologia e preservação do Planeta Terra. Laudato Si’ é título também para a longa introdução que precede os cinco capítulos.

O Papa expõe sobre o que está acontecendo com a Terra, maltratada e depauperada. Reflete com base no evangelho, afirma que a raiz da crise é antropológica, aponta a urgência de uma ecologia integral, delineia orientações de como agir e vislumbra como saída a educação e a espiritualidade.

Da citação poética do cântico de Francisco de Assis, “louvado sejas, meu Senhor pela mãe e irmã terra, que produz frutos e flores coloridas”, passa logo para a veemente denúncia “do uso irresponsável e do abuso dos bens” da Terra e dos “sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos”.

Dirigindo-se “a cada pessoa que habita neste planeta”, o Papa quer “entrar em diálogo com todos acerca da nossa casa comum”. Põe a pergunta sobre o tipo de mundo que queremos deixar para as gerações futuras. Reporta-se aos seus predecessores, os quais já falam “da necessidade urgente de uma mudança radical no comportamento da humanidade” (Paulo VI, 1970), isto é, de mudanças profundas “nos estilos de vida, nos modelos de produção e de consumo, nas estruturas consolidadas de poder, que hoje regem as sociedades (João Paulo II, 1991)”.

É necessário ir às causas, chamando a atenção para “as raízes éticas e espirituais dos problemas ambientais”. Francisco de Assis, modelo de alegria e amor aos pobres, “um místico e um peregrino que vivia com simplicidade e harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo”, inspira a aproximar-se da natureza com admiração e encanto, com a linguagem da fraternidade, da beleza e do louvor ao criador.

O Papa deseja “unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral”. Conclama a uma “nova solidariedade universal”. Elenca os “eixos” que percorrem a encíclica: a relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta, a convicção de que tudo está interligado no mundo, a crítica ao princípio tecnocrata de poder, a necessidade de nova compreensão da economia e do progresso, o sentido humano da ecologia, a responsabilidade política e a proposta de um novo estilo de vida.

Vale à pena aprofundar o sentido e o alcance dessa mensagem, em vista de um futuro pautado pela harmonia entre natureza humana e ambiental. Harmonia também entre estratégias organizacionais e princípios morais que devem reger a convivência entre os seres humanos. Assim começa a encíclica; pode começar também um novo compromisso envolvendo as pessoas de boa vontade.

Dom Pedro Luiz Stringhini é Bispo Diocesano de Mogi das Cruzes (SP) e vice-presidente do Regional Sul 1 da CNBB

Mogi das Cruzes, 03 de julho de 2015

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