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Dom Vilson Oliveira fala sobre inclusão dos portadores de deficiência na vida eclesial

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Dom Vilson: “Os portadores/as de deficiências devem ser amados, inclusos e sentir o carinho e o amor das nossas comunidades”.

Neste dia 21 de setembro, desde 2005, é celebrado no Brasil o Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência, uma ocasião especial para promover os direitos das pessoas que enfrentam diariamente além das barreiras físicas, as barreiras sociais impostas pela sociedade.  A entrevista foi concedida à Elisangela Cavalheiro do A12.com.

Para a Igreja do Brasil, o trabalho de atuação junto à pessoa portadora de deficiência encontra um grande desafio, o de criar uma metodologia capaz de atingir a todos sem barreiras. A análise é do bispo referencial da Comissão Bíblico-Catequética da CNBB Regional Sul 1, Dom Vilson Dias de Oliveira.

Em entrevista ao A12.com, Dom Vilson destacou também como a Igreja pode melhorar a sua atuação pastoral para incluir os portadores de deficiência na vida eclesial.  Veja a seguir:

A12.com – Como o senhor analisa o trabalho da Igreja no Brasil junto às pessoas com Deficiência? 
Dom Vilson – Existe um grande desafio no trabalho da Igreja, pois a formação de catequese junto à pessoa com deficiência tem se mostrado mais de forma individual por paróquia, em nossas dioceses não existe ainda um trabalho homogêneo. Mas existe um grande avanço no despertar e na preocupação desta formação, hoje temos apoio neste trabalho da Pastoral dos Surdos, Movimento Fé e Luz, Pastoral da Pessoa com Deficiência, temos cursos de extensão com orientação da Catequese Junto a Pessoa com Deficiência no Regional Sul 1 e nos cursos de verão e extensão da UNISAL.   “A Igreja precisa criar metodologia para atingir a todos sem barreiras”. Mas devemos destacar que o avanço das politicas públicas, a questão da acessibilidade e de seus direitos na sociedade está mais avançada que na Igreja. A Igreja está mais aberta e mais acolhedora, voltando nos seus primeiros trabalhos das congregações religiosas, desde a Campanha da Fraternidade de 2006, mas ainda falta mais acolhida, formação, acessibilidade, precisamos ver que a Igreja é muito viva através da manifestação de fé de uma pessoa com deficiência, a fé é forte, eles falam do amor de Deus através de cada superação que eles vivem, a Igreja precisa criar metodologia para atingir a todos sem barreiras. Na JMJ (Jornada Mundial da Juventude) ficou claro que a participação da pessoa com deficiência é muito ativa e a Igreja no Brasil, no que diz respeito à Catequese, já vem dando vários passos através dos Seminários de Catequese Junto à Pessoa com Deficiência, que até o momento foram 4 (quatro) em nível nacional.

A12.com – Como atuar melhor pastoralmente para incluir os portadores de deficiência na vida eclesial?
Dom Vilson – Na deficiência surda: na atuação para melhorar pastoralmente a inclusão da pessoa com deficiência na vida eclesial, trabalharmos a desmistificação de que uma pessoa com deficiência é incapaz, que a pessoa com deficiência tem limitações intransponíveis. Precisa haver mais abertura para que a comunidade surda se sinta acolhida. É bom saber que temos no Brasil quatro padres surdos que trabalham especialmente nesta dinâmica, e um diálogo aberto com a Pastoral dos Surdos. Também é preciso trabalharmos liturgicamente a interpretação dos sinais de forma homogênea, porque a Língua de Sinais (LIBRAS) é regional, e muitas vezes o surdo tem um português sinalizado e se sente perdido na liturgia e na participação dos sacramentos.   “Os portadores/as de deficiências devem ser amados, inclusos e sentir o carinho e o amor das nossas comunidades”.

Na deficiência visual: a possibilidade de produção de material de áudio, os documentos da Igreja gravados em áudio para que os deficientes visuais possam ter acesso mais fácil, nem todos os deficientes visuais dominam o braille, termos áudio-descrição da liturgia, incluindo os símbolos litúrgicos. É claro que aqueles que aprenderam o braille já temos acesso à  bíblia, catecismos e outros materiais nesse tipo de leitura.

Na deficiência intelectual: houve um grande avanço e temos casos de deficientes intelectuais em faculdades, casamento liberado pela Justiça, o que precisamos é mais abertura e acolhida. Para tanto, devemos contar com o apoio do Movimento Fé e Luz, existente em muitos estados do Brasil.

E na deficiência física: trabalhar a questão de acessibilidade na Igreja. É preciso ter acesso na Igreja e liberdade da aceitação para os trabalhos dentro da mesma. Também podemos contar com o apoio da FCD (Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes) e nos lugares que tem organizada também a Pastoral da Pessoa com Deficiência.

Em resumo, devemos incluir a todos. É o Senhor Jesus quem chamou o deficiente: “vem para o meio”. Os portadores/as de deficiências devem ser amados, inclusos e sentir o carinho e o amor das nossas comunidades. É preciso evangelizar e deixar-se evangelizar por eles.  Deus abençoe e guarde a todos e todas.

Fonte: A12.com

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