Com a palavra o Presidente

Dois anos com o Papa Francisco

No dia 13 de março transcorre o 2º aniversário da eleição do Papa Francisco. Enquanto ainda estão vivas na memória as imagens e expressões de surpresa do mundo com a sua escolha, já é possível entrever de maneira mais clara a direção do seu Pontificado.

A missão do Sucessor de Pedro diante da Igreja é a mesma para todos os papas e se resume nas palavras ditas por Jesus a Simão Pedro, após a ressurreição: “apascenta as minhas ovelhas; apascenta os meus cordeiros” (cf Jo 21,16). E ainda: “confirma os teus irmãos na fé” (cf Lc 22,32). Como “servo dos servos de Deus”, cabe ao Sucessor de Pedro dar certeza e firmeza à vida e à missão da Igreja, que recebe dele indicações imprescindíveis para expressar a sua vida e desempenhar sua missão.

Essas breves indicações da missão do papa significam muito e ele desempenha sua enorme responsabilidade diante da Igreja de múltiplas maneiras. O papa é o primeiro e principal missionário na Igreja; além da animação da vida da própria Igreja, ele está em constante contato com o “mundo”, quer encontrando autoridades e representações dos povos e da sociedade civil, quer pela sua palavra, dirigida a todos.

Cada papa é diferente e desempenha a sua missão com as características de sua pessoa e de sua formação cultural. Francisco leva para a universalidade da Igreja a contribuição da América Latina e de sua formação sacerdotal e jesuítica. Isso é enriquecedor para a Igreja. O exercício de sua missão é marcado pela simplicidade, pelo modo direto e fácil de se relacionar com as pessoas e por suas palavras de impacto comunicativo.

Mas não esqueçamos o conteúdo de suas indicações pastorais, encontradas, sobretudo, na exortação apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho). Francisco estimula a Igreja a superar certa estagnação e a se renovar na dimensão missionária: antes de tudo, a se reencontrar com a sua razão de ser no chamado de Cristo e no encontro com Deus. A missão brota da alegria de crer. Alguns conceitos traduzem bem esse rumo indicado por Francisco: “conversão missionária”, “Igreja em saída”, colocar-se no meio do mundo, ir ao encontro das pessoas e das realidades sociais. E não deixa de indicar as implicações do Evangelho para a vida social.

Outra marca saliente do pontificado de Francisco é a da caridade e da misericórdia: ele está apontando constantemente para o coração da vida cristã, que é a caridade, com suas inumeráveis expressões. E vem apontando o lugar da Igreja e dos católicos em relação ao mundo marcado por dor, violência e sofrimentos: como um hospital de campo em tempos de guerra, junto às pessoas que sofrem, para socorrer, amparar, confortar, proteger, defender… Uma Igreja nas muitas “periferias”… Estas indicações estão bem sintonizadas com a grande questão posta pelo Concílio Vaticano II, sobretudo na constituição pastoral Gaudium et Spes, ao falar das relações da Igreja com a sociedade: o diálogo e o serviço.

Mas não esqueçamos uma questão muito presente nas palavras e reflexões do Papa: o chamado à verdade e à autenticidade da vida cristã e eclesial. A Igreja de Cristo não existe para “salvar aparências”, fazer pactos de conveniência ou salvar vantagens: ela existe para testemunhar a verdade. E precisa fazê-lo com todo o empenho, quer no nível da vivência pessoal de cada cristão, quer nas formas institucionais e na relação com a sociedade. Francisco tem chamado para comportamentos pessoais autênticos, coerentes com o Evangelho e transparentes, bem como para o testemunho da verdade em relação a toda realidade, por parte da própria Igreja.  Nesse sentido, pode-se compreender também todo o seu empenho em renovar a Cúria Romana e os corpos administrativos da Santa Sé. A mesma autenticidade também pede aos governantes e autoridades nas relações culturais, econômicas e políticas. A advertência para não “globalizar a indiferença” aponta nessa mesma direção.

Ao Papa Francisco, no 2º aniversário de sua eleição, nossos cumprimentos e nossa oração: Deus o assista e conforte em sua missão!

Artigo publicado no Jornal O SÃO PAULO – Edição 3042 – 11  a 17 de março de 2015

Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e Presidente do Regional Sul 1

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