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Depoimento Missionário: Padre França encerra missão na Amazônia

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Despedida do padre França na paróquia Imaculada Conceição,
em Coari, AM (Foto: Arquivo Pessoal)

O padre Antônio Silva França (foto), natural da diocese de São José dos Campos (SP) e membro do Projeto Missionário entre os regionais Sul 1 – Norte 1 da CNBB, em conversa com a reportagem do Informativo do Regional Sul 1, fala da sua caminhada missionária que exerceu por três anos na paróquia da Imaculada Conceição, em Coari, no estado do Amazonas. “Recebi muito mais do que pude oferecer, principalmente de uma fé viva e alegre”, afirmou o padre. Confira, a seguir, o seu depoimento.

Cheguei a Anori em 7 de outubro de 2011. Assumi como administrador paroquial no dia 3 de outubro, em posse dada pelo administrador Apostólico, dom Gutemberg Freire Regis. No dia 23 de outubro tomou posse o novo bispo prelado, dom Marcos Piatek. Fui muito bem recebido, tanto pelos paroquianos como pelos padres da Prelazia de Coari e pelos dois bispos também.

Anori é um município com aproximadamente 17 mil habitantes e 5.800 km². A paróquia da Imaculada Conceição não atinge todo o município, mas apenas as comunidades que estão nas margens dos Rio Solimões e de lagos que estão na bacia do mesmo. As comunidades que ficam o Rio Purus são atendidas pela paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, em Beruri. Comparada com outras realidades da Amazônia, a paróquia é pequena, pois tem apenas 15 comunidades ribeirinhas (católicas) e a mais distante fica há “apenas” 4 horas de barco ou “rabeta” e 1h e meia de lancha.

Durante o tempo que por lá estive realizei os serviços de rotina que um pároco realiza por aqui, no entanto, com as particularidades próprias da cultura e estilo de vida local. Por lá tudo depende das águas, que ditam o ritmo da vida. Em relação à zona rural ribeirinha consegui fazer três visitas pastorais anuais, nas quais ia com uma equipe no nosso barco “Rainéria” e passava alguns dias (de 3 a 5) “morando” no mesmo. Nessas visitas eram dadas formações diversas e celebradas as missas e, em algumas ocasiões, batismos, 1ª comunhões e casamentos. Conseguimos reformar um bote que tínhamos e comprar um motor de 40 hp, que nos acompanhava nas viagens. Esse bote passou a ser usado em visitas feitas por leigos, aos domingos, ampliando assim o número de visitas feitas durante o ano, pois em cada viagem aos domingos pela manhã, eram visitadas 3 comunidades. Em 2013, com o auxílio de algumas paróquias da diocese de São José dos Campos (SP) e com a venda do nosso bote, conseguimos comprar uma lancha maior, com motor de 90 hp e capacidade para 12 pessoas.

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Missa de despedida do padre França foi celebrada na paróquia. Agora, terminada a missão, ele volta para a diocese de S. j. dos Campos (Foto : Arquivo Pessoal)

Na área urbana temos seis comunidades das quais quatro tinham missas semanais e duas a cada 15 dias. Conseguimos comprar uma moto o que agilizou o deslocamento pela cidade. Encontrei as pastorais básicas todas organizadas e estavam funcionando bem. Procurei dar continuidade aos trabalhos que já tinham sido realizados. Ampliamos as preparações para o batismo e matrimônio, que passaram a ser dadas pela Pastoral Familiar. Aumentamos também o número de ministros da Comunhão Eucarística. Foram formados mais grupos da Infância e Adolescência Missionária (IAM) que deixaram de ser vinculados à catequese. Os grupos de jovens passaram a fazer visitas missionárias nas famílias. Atendendo a um projeto da prelazia, foi modificado o modo de trabalhar com a Pastoral do Dízimo, com aumento significativo de participação de fiéis nas missas, dizimistas e da arrecadação mensal.

Em termos de estrutura, conseguimos comprar alguns terrenos para as comunidades novas que estão surgindo e ganhamos outros. Foram feitas várias reformas e construções nas comunidades urbanas, três delas de grande porte.

Terminado meu tempo em Anori percebo que consegui ter êxito em alguns projetos e em outros não. Algumas coisas o povo acolheu com entusiasmo, outras nem tanto. Creio que tudo isso é perfeitamente normal. A maior contribuição que dei foi minha presença junto ao povo e, com ela, o testemunho da presença solidária da Igreja de São Paulo partilhando sua fé com a Igreja da Amazônia.

Recebi muito mais do que pude oferecer, principalmente o testemunho de uma fé viva e alegre, de um modo simples de vida, de quem não precisa de muita coisa para ser feliz. De quem enfrenta as dificuldades da ida sem se desesperar e, ainda assim, faz festa. De um clero simples e despojado de privilégios e comodidades, mas cheio de fé e de entusiasmo.

Agradeço a Deus, à Igreja do Regional Sul 1 e à diocese de São José dos Campos por me terem dado essa oportunidade e privilégio de trabalhar por três anos na Amazônia. Voltei enriquecido de tantas experiências vividas. Desejo ao padre Márcio Roberto Pereira Campos, meu amigo da diocese de São José dos Campos e que assumiu como Pároco de Anori, me substituindo, uma abençoada missão.

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Na foto, padre França com o bispo diocesano de Coari, dom Marcos Marian Piatek e o bispo emérito, dom Gutember Freire Régis

 

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