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Chegou o Advento

No domingo passado, dia 29, iniciamos o tempo do Advento, que nos prepara para a celebração do Natal do Senhor (como a Quaresma nos prepara para a celebração da Páscoa).

Durante as quatro semanas que antecedem o Natal, a Igreja recorda os acontecimentos que antecederam o nascimento de Cristo, assim como a segunda vida de Cristo!

O Advento, enquanto intensa e concentrada celebração da longa espera da história da salvação, nos remete à presença de Cristo em cada página do Antigo Testamento, desde o Gênesis até os últimos livros sapienciais. Viver o Advento é reviver a história passada como dirigida e orientada para Cristo, escondido no Antigo Testamento que permite que leiamos a nossa história como uma presença e uma espera contínua do Cristo que vem.

O tempo do Advento é tempo do Espírito Santo. O Espírito Santo é o verdadeiro, porém escondido, Precursor de Cristo em sua primeira vinda, e é Ele agora o Precursor da segunda vinda do Senhor: falou por meio dos profetas, inspirou os textos messiânicos, antecipou a alegria da vinda de Cristo em protagonistas como Zacarias, Isabel, João, Maria.

O Evangelho de Lucas, que tomamos neste ano na liturgia dominical, demonstra isso no seu primeiro capítulo, quando tudo parece um Pentecostes antecipado para os últimos do Antigo Testamento, na profecia e no louvor do cântico de Zacarias (Lc 1, 68-79), e no de Maria (Lc 1, 46-55). É no Espírito Santo que a Igreja pronuncia o seu “Vem, Senhor” como esposa, guiada pelo Espírito Santo (Ap 22,20).

Mas, o tempo do Advento é também um tempo mariano, conforme afirmou o Beato Paulo VI (Mariallis Cultus n.3-4). As muitas referências à espera e acolhida do mistério de Cristo pela Virgem de Nazaré, na liturgia destas semanas. A solenidade da Imaculada Conceição e as antífonas que celebram Maria nos dias que antecedem o Natal, culminando com a liturgia do 4º Domingo do Advento que destaca o papel de Maria na expectativa alegria da chegada do Senhor, tornam o Advento o tempo de Maria na Igreja!

A gente corre o risco de compreender o Advento como um tempo fictício, um “faz de conta”, quando, na verdade “preparando-nos para a festa do Natal, pensemos nos justos do Antigo Testamento que esperaram a primeira vinda do Messias. Leiamos os oráculos dos profetas, cantemos os seus salmos e rezemos as suas orações. Não façamos isto, porém, colocando-nos em seu lugar e agindo como se o Messias ainda não tivesse vindo, para melhor avaliar o dom da salvação que ele nos trouxe. Não, o Advento para nós é um tempo real. Podemos rezar em toda a verdade a oração dos justos do Antigo Testamento e esperar pelo cumprimento das profecias, porque elas ainda não se realizaram plenamente, serão realizadas com a segunda vinda do Senhor. Precisamos esperar e preparar essa segunda vinda” (A. Nocent).

Para nós católicos a celebração do Advento, nestas quatro semanas, simbolizada pela Coroa do Advento que vai com a luz das velas anunciando a vinda do “Sol nascente que nos veio visitar”, já é antecipação do Natal!

Para nós a alegria que nos invadirá com a celebração do Nascimento de Jesus começa sendo gestada nestas quatro semanas de expectativa pela vinda do Salvador. Quando nos aproximarmos da manjedoura de Belém nossa alegria será maior se soubermos nos preparar para ela, com o tempo da espera e da vigilância que caracterizam o Advento.
A todos um abençoado Advento do Senhor!

Dom Milton Kenan Júnior é Bispo diocesano de Barretos

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