Com a palavra o Presidente

Assunta Marchetti, missionária

No domingo, 19 de outubro, a Igreja celebra a Jornada Missionária Mundial: todos somos lembrados de que somos parte de um povo missionário, enviado por Jesus Cristo ao mundo inteiro, a todos os povos, para anunciar o Evangelho do Reino de Deus.

A Igreja é missionária por sua natureza e o anúncio do Evangelho deve ser, por isso, a primeira preocupação e a mais importante ocupação dos membros da Igreja e das organizações eclesiais. Essa é a razão pela qual a Conferência de Aparecida (2007) nos orientou a ir além de uma pastoral de conservação e a fazer uma verdadeira “conversão pastoral” no sentido missionário.

Em seguida, na sua exortação apostólica Evangelii gaudium (2013), o Papa Francisco nos recordou que devemos ser uma Igreja “em saída”, no meio do povo, onde a vida acontece. Não devemos estar ocupados apenas com a gestão das questões da vida interna da Igreja, mas ter sempre presente que existimos para a missão.

Recordou ainda o Papa que as portas da nossa Igreja devem estar sempre abertas, não apenas para receber quem queira entrar, mas, ainda mais, para que os que já estão dentro saiam ao encontro dos demais, para compartilhar com eles a alegria do Evangelho e as riquezas da nossa fé.

A vocação missionária realiza-se de muitos modos: pelo anúncio explícito do Evangelho, convidando a acolher de coração aberto a Palavra de Deus e a converter-se a ela; pelas várias formas de catequese e formação cristã; pela celebração da Liturgia e a participação na eucaristia dominical, pela transmissão da fé em família; e não podemos esquecer nunca os que ainda estão distantes do Evangelho de Cristo, os de longe e os de perto… A missão “a todos os povos” nunca pode ser perdida de vista pelos cristãos e católicos, pois todos têm o direito de conhecer a Boa- Nova de Jesus Cristo.

A missão realiza-se também através do testemunho de fé, esperança e caridade, pelo serviço ao próximo em nome de Cristo, sobretudo aos mais necessitados de ajuda e solidariedade; realiza-se pelo empenho corajoso na justiça social e em edificar o mundo conforme Deus. Atitudes missionárias são, por exemplo, o voluntariado e o serviço generoso prestado aos outros e o apoio material para que a obra missionária da Igreja seja levada avante em lugares carentes de recursos; esse é o sentido da coleta missionária, que se faz em todas as igrejas católicas do mundo no próximo domingo, Dia das Missões.

Os santos são os melhores missionários. Neste ano, já tivemos a canonização do missionário São José de Anchieta, que está nas origens da cidade de São Paulo e da Igreja nesta cidade. E, no próximo dia 25 de outubro, teremos na Catedral da Sé, de São Paulo, a beatificação de mais uma missionária: a serva de Deus, Assunta Marchetti, cofundadora das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu (Scalabrinianas).

Ela nasceu na Itália, em Camaiore, Lombrici (Toscana), em 15 de agosto de 1871. Em 1895, veio ao Brasil, com seu irmão, Padre José Marchetti; passou brevemente no Rio Grande do Sul e no interior de São Paulo, na cidade de Mirassol. Mas dedicou a maior parte de sua vida e atividade missionária na cidade de São Paulo. Dedicou-se à assistência dos migrantes, que chegavam em grande quantidade da Itália e de outros lugares, aos doentes e, sobretudo, aos órfãos, para os quais foi mãe atenciosa.

Morreu com fama de santidade em São Paulo, em 1º de junho de 1948; seu túmulo está na Vila Prudente, junto da Igreja de São Carlos Borromeu. Missionária, ela consolidou a fundação de uma congregação missionária, para continuar a testemunhar a caridade de Cristo para com o próximo. Os santos são grandes evangelizadores: pelo exemplo de sua caridade e dedicação missionária, continuam a edificar a Igreja.

Artigo publicado no Jornal O São Paulo, Edição 3023 – 8 a 14 de outubro de 2014

Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e Presidente do Regional Sul 1 da CNBB

 

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