Invocando a presença do Espírito Santo, lideranças do Regional Sul 1 da CNBB, reunidos em Assembleia em Indaiatuba, no Mosteiro de Itaici, deram início à sexta sessão do encontro na tarde de quarta-feira, 5 de junho. “Sínodo dos Bispos: perspectivas e luzes para a ação evangelizadora em nosso Regional” foi o tema da exposição do bispo diocesano de Santo André, Dom Pedro Carlos Cipollini.

Recordando que a Igreja é sinodal, o expositor (que também é um dos representantes brasileiros na etapa universal do Sínodo realizado no Vaticano), apoiou sua fala em dez pensamentos. Em um dos aspectos, reservado à dignidade batismal, Dom Pedro sublinhou o valor do Batismo. “Sacerdócio comum dos fiéis e Sacerdócio ministerial devem estar integrados. É preciso acabar com a contraposição entre clero e leigos para que predomine outro binômio integrativo: comunidade / ministérios”, disse. “Devemos articular a unidade da Igreja a partir da Trindade e na Eucaristia”, completou.

Outro indicativo, no trânsito da Assembleia, foi partilhado com os bispos: a necessidade de formação e Catequese permanentes a todos os níveis da Igreja. Também a opção pelos pobres foi nominada. “A valorização das mulheres na vida da Igreja deve levar em conta os diversos carismas e capacidades”, completou Dom Pedro expondo mais um ponto.

Dois tópicos, na fala do bispo diocesano de Santo André, igualmente apresentaram proximidade: a revisão do Código de Direito Canônico, na perspectiva da corresponsabilidade, e a valorização das Igrejas Particulares (Dioceses) nos processos decisórios. “O Sínodo está sendo uma retomada profética do Concílio Vaticano II (1962 – 1965)”, sintetizou. Algumas pistas de ação, para efetiva vivência da dinâmica sinodal, foram apresentadas a partir das conclusões da Assembleia Mundial dos Párocos pelo Sínodo. “Devem ser superadas as resistências ao processo sinodal”, recomendou o epíscopo.

Conversa no Espírito
Recordando a Assembleia Sinodal realizada no Vaticano em outubro de 2023, Dom Pedro Carlos Cipollini indicou aos bispos paulistas que o primeiro passo do processo é a invocação do Espírito Santo. Após, se realiza a leitura do texto de apoio e da pergunta orientativa. Cada participante da dinâmica, em dois minutos, expõe o próprio entendimento acerca do questionamento destacado. “O silêncio também deve ser contemplado”, disse o orientador. “A conversa é espaço para a oração sobre aquilo que foi falado. Em uma segunda rodada de fala, as exposições devem estar apoiadas nas partilhas anteriores (favorecendo a escuta mútua e do Espírito Santo)”, concluiu o bispo antes da divisão dos grupos.

Partilha
Após tempo privilegiado de diálogo, os treze grupos antecipadamente formados sob a coordenação do secretário executivo do Regional Sul 1 da CNBB, Pe. Leandro Megeto, apresentaram suas conclusões. As partilhas foram fruto das respostas às perguntas dirigidas a cada grupo. Em síntese, os assuntos passaram por temas como a valorização da participação das mulheres na Igreja, o clericalismo, o envolvimento dos leigos e a formação permanente, entre outros.

O bispo diocesano de Votuporanga, Dom Moacir Aparecido de Freitas, aprovou o uso da dinâmica na Assembleia Regional. “É importante. É uma maneira de incluir aqueles que levam a diante a ação evangelizadora da Igreja e saber o que pensam”, partilhou. “Esse método tem em si mesmo uma grande profundidade. A impostação espiritual que ele possui já conduz a uma profundidade da reflexão. É como se acalmasse o nosso eu para que o Espírito possa falar; permitindo, assim, também ouvir o outro. Essa é a riqueza dessa experiência”, completou o bispo diocesano de Bauru, Dom Rubens Sevilha, ODC.

O método de Conversa no Espírito não é uma novidade em encontros nacionais ou, até mesmo, diocesanos. “Tivemos na Assembleia Geral e em nossa Diocese (de Registro) fizemos uso do método em três ocasiões. Essa é uma forma mística de descobrir a vontade de Deus no processo da vida. É escutar a voz de Deus que passa pela voz dos irmãos e irmãs que convivem conosco. Sempre surgem novidades do Espírito”, concluiu o bispo diocesano de Registro, Dom Manoel Ferreira dos Santos Junior, MSC.

Ao final das partilhas, uma síntese espontânea se apresentou, certamente, pela ação do Espírito Santo. “Tudo o que foi falado foi ótimo. Não tem coisa melhor que ouvir. Confiar no processo e não esperar sucesso imediato. O Sínodo é um processo que começou e não vai terminar. A Iniciação Cristã deve continuar em todos os níveis. Também não se pode esquecer dos pobres. A Igreja tem que ser de todos. A pobreza brota da própria Trindade. É algo muito profundo”, disse Dom Pedro Carlos Cipollini. “Para vencer o clericalismo temos muitas receitas boas, mas eu indicaria uma: mudar o nosso modo de falar. Esse modo não nos inclui no Povo de Deus”, concluiu o bispo de Santo André que, por último, ofereceu uma provocação: “o Filho do homem, quando voltar, encontrará fé sobre a Terra? A maior preocupação está no sentido de guardar a fé. Já existem estruturas que não guardam a prática de Jesus. É essa prática de Jesus que dá o tom da fé”, finalizou um dos Padres Sinodais indicados pelo Regional Sul 1 da CNBB para o Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade.

Comunicação Regional Sul 1