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As Cebs do século XXI

Quando se fala em CEBs, nos dias de hoje, algumas pessoas torcem o nariz, porque associam de imediato a uma realidade vivida nos anos 80 e 90 conduzida pela Teologia da Libertação. Era o contexto de uma época que ao longo da história foi se adaptando e encontrando o seu caminho. A CEBs não morreu, ela se transformou, ela continua buscando aliar fé e política; espiritualidade e compromisso social, sem perder de vista o caráter ecumênico e inter-religioso. Enfrentam crises, são ignoradas e tratadas de forma distorcida pelos meios de comunicação, mas seguem vivas, alegres e fraternas. Por isso o 13º Intereclesial se torna lugar de trocas de experiências, de busca de orientação eclesial e de total sintonia com a Igreja, que nos dias de hoje em seu grande referencial Jesus Cristo e seu maior Pastor o Papa Francisco se unem para a realização de um Evangelho Vivo e atuante.

No Documento de Aparecida nota-se a conflitividade da realidade social e eclesial da América Latina, onde a Igreja é desafiada a ouvir os clamores do povo. Um dos grandes desafios que aparece é de tornar a Igreja discípula e missionária a partir de Jesus Cristo. Os bispos declaram: “Comprometemo-nos a trabalhar para que a nossa Igreja Latino-americana e Caribenha continue sendo, com maior afinco, companheira de caminho de nossos irmãos mais pobres, inclusive até o martírio.

Hoje queremos ratificar e potencializar a opção preferencial pelos pobres feita nas Conferências anteriores. Que seja preferencial implica que deva atravessar todas as nossas estruturas e prioridades pastorais. A Igreja Latino-americana é chamada a ser sacramento de amor, solidariedade e justiça entre nossos povos” (DA, 396). Com a organização dos pobres se fortalece a esperança de outra Igreja e outro mundo possíveis e necessários. Desse modo vão entrando em cena novos sujeitos sociais, como as mulheres, os povos indígenas, os afro-americanos, os catadores de materiais recicláveis entre outros.

Há muitos desafios a serem enfrentados na luta pela democratização da terra e de todos os bens naturais; pela igualdade de condições de acesso aos bens produzidos; pela busca dos direitos humanos a todos os povos.

Os participantes do 8º encontro Latino-americano e Caribenho (julho de 2008) assumiram os seguintes compromissos:

Reforçar as lutas ligadas aos movimentos sociais, à economia solidária, à ecologia, à nova cidadania e ao compromisso político, não isoladamente, mas em redes;

 Relançar as CEBs, confirmadas e animadas pela mensagem de Aparecida, aprofundando sua identidade, espiritualidade, comunhão e articulação em todos os níveis;

 Acentuar a formação permanente, integral e para todos, baseada na eclesiologia do Concílio Vaticano II e do Magistério Latino-Americano e Caribenho;

Utilizar mais e melhor os modernos meios de comunicação como instrumento de articulação, socialização de experiências e recurso para a formação.

Em tempos globais e neoliberais, as CEBs seguem atuais. No mundo globalizado e globalizante, mercantilizado e mercantilizante somos induzidos a esquecer a memória, renunciar a cruz e desacreditar da utopia do Reino. Entretanto, as CEBs entendem que o resgate permanente da história, o cultivo da espiritualidade libertadora e o fortalecimento do sonho de uma sociedade mais justa e igualitária são condições indispensáveis para seguir a caminhada. Para enfrentar o sistema de mercado, as CEBs tornam-se cada vez mais úteis e indispensáveis. No dizer do teólogo José Comblin, longe de estarem superadas, as CEBs são mais atuais e necessárias do que nunca.

Porém, é preciso criar novas comunidades eclesiais a partir dos novos excluídos. Em meio a tantas dificuldades, dores, sofrimentos, frustrações, violência, exclusão e morte é essencial sermos, como afirma dom Pedro Casaldáliga, “esperançados e esperançadores”. Em meio à diversidade de ofertas religiosas e espiritualistas, cabe às CEBs manterem viva a dimensão e o espírito profético da Igreja. Elas têm importante missão nesse mundo. Seu projeto e método prosseguem tendo um papel fundamental na luta pela libertação dos pobres e excluídos.

Esse jeito de ser Igreja não perderá sua importância enquanto houver fome, miséria, opressão, exclusão, injustiça, corrupção, agressão à dignidade, depredação do meio ambiente… Na atualidade, a intervenção eclesial e social das CEBs se dá de diferentes modos, sobretudo no apoio aos projetos alternativos baseados na economia popular e solidária junto aos grupos marginalizados e excluídos.

Também através da educação cidadã, do cultivo da espiritualidade profético-liberadora que sustenta a indignação ética frente às causas que geram exclusão social e desumanização. A pedagogia popular presente nas Comunidades Eclesiais de Base carrega a possibilidade de articular o aspecto social, econômico, político, cultural, eclesial, teológico e ecológico – entre outros – na perspectiva da conquista de um “novo céu” onde caibam todos já aqui na terra.

Para a construção desse projeto, os desafios são muitos, enormes e permanentes. As CEBs sabem-se limitadas, mas sua luta não pode ser contida. Através do trabalho de “formiguinha”, dos encontros celebrativos, do aprofundamento de diversos temas, não só resistem ao que agride a vida e a integridade da criação, como também buscam novas estratégias de articulação e fortalecimento para fazer isso com maior alcance e eficiência.

Fonte: Ceb’s. Postado pela Pastoral da Comunicação da Região Lapa

 

 

 

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