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Artigo: A ordem é: Amar

Neste sexto domingo da Páscoa, o Evangelho da santa Missa é sequência do capítulo 15 de São João, lido nos versículos 1 a 8 no domingo passado. Hoje, segue-se a leitura dos versículos 9 a 17. Lá Jesus falava da videira, dos ramos e do agricultor: “Eu sou a videira, vós os ramos e o Pai é o agricultor… Permanecei em mim e eu permanecerei em vós… Aquele que permanece em mim produz muito fruto… Porque sem mim nada podeis fazer”. Assim como a seiva deve perpassar toda a árvore para que produza frutos, Jesus deve perpassar toda a nossa vida a fim de que possamos produzir os bons frutos do Reino.

Na sequência de hoje, o Evangelho segundo São João está a nos dizer que o mandamento de Jesus é o amor, mas o amor conforme o modelo do amor de Cristo, como doação da própria vida pelos amigos ou por quem se ama. Contudo, para amar assim como Jesus, Jesus mesmo dizia no versículo 7 ser necessário permanecer unido a Ele e pedir ao Pai esta e outras graças que o Pai atenderá. Diz agora no versículo 16 que se continue a suplicar ao Pai em seu nome, porque concederá tudo o que a Ele se pedir. Entre os bens que o Senhor concederá está a graça de amar como Jesus amou, de permanecer unido a Ele e de produzir frutos de caridade para a construção do Reino. Portanto, pedir ao Pai permanecendo em Jesus e pedir ao Pai em nome de Jesus será sempre necessário que o façamos permanentemente em toda a nossa vida. Se estas minhas palavras, dizia Jesus, permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e ser-vos-á dado (v.7). Então, produzireis frutos e vos tornareis meus discípulos. O Pai me ama e Eu vos amo. Tenho certeza que permanecereis no meu amor se observardes meus mandamentos. O meu mandamento é: “Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei”. Vós sois meus amigos se fazeis o que vos ordeno. Eu vos chamei de amigos. Eu revelei o que ouvi do meu Pai. Eu vos escolhi para produzirdes frutos. O Pai vos dará o que pedirdes em meu nome. Portanto, isto vos ordeno: Amar, amar, amar. No centro desta página do Evangelho de hoje está a alegria, conforme diz Jesus: “Disse-vos isto tudo para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena” (v.11).

Aderir a Jesus pela fé e amar como Jesus amou, ficar unido a Jesus acolhendo no coração as suas palavras e guardando fielmente os seus ensinamentos, obedecendo ao seu mandamento do amor aos outros e fazendo o que Ele nos mandar, deve ser a nossa resposta de amor a Jesus. Eis porque Ele não nos chama de servos. Ao contrário, chama-nos de seus amigos, considera-nos merecedores de conhecer sem nenhuma reserva tudo o que Ele ouviu do Pai e dignos de sua predileta escolha e de receber a honrosa designação para irmos em meio ao mundo e produzirmos frutos de boas obras que permaneçam para sempre. Tudo isso, em última instância, para a maior glorificação do Pai e o bem da humanidade. Como o amor com amor se paga, temos de permanecer no amor de Jesus para amarmos a Deus e ao próximo na medida do seu amor, até o fim. Ouvimos na segunda leitura deste domingo o mesmo evangelista São João se expressando assim sobre o amor: “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus… Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: ‘Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele’. Nisto consiste o amor: ‘não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados’”.

Em nome de Jesus podemos suplicar a Deus com confiança tudo o que é necessário para a nossa salvação certos de que Ele virá em nosso auxílio e, então, grande será a nossa alegria. É a grande mensagem evangélica deste domingo.

Que o Senhor, por Jesus e o Santo Espírito, venha com mão generosa e braço forte nos ajudar a combater a violência e a maldade e a produzir frutos de amor, justiça e paz.

“Venha a nós, Senhor, teu Reino de justiça, pleno de paz, de harmonia e unidade (Mt 6,10 e Rm 15,17-19). Sonhamos ver um novo céu e nova terra: Homens na roda da feliz fraternidade (Ap 21,1-7)” (Hino da Campanha da Fraternidade).

Por Dom Caetano Ferrari, OFM, Bispo da Diocese de Bauru

 

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