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Aparecida e Fátima

Nesta semana, no dia 13 de maio, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi levada para Fátima, em Portugal. O fato, aparentemente inócuo, precisa ser lido à luz da linguagem cifrada, que envolve o fenômeno das “aparições” de Nossa Senhora.

Nesta perspectiva, aí sim, o episódio se reveste do fecundo simbolismo religioso, que oferece diversos ângulos de interpretação.

Um dado histórico vem corroborar a interessante associação que podemos fazer entre Fátima e Aparecida. Esta associação tem como ponto de convergência o ano de 2017, quando vão se completar 300 anos do encontro da imagem no Rio Paraíba do Sul, e 100 anos das aparições de Fátima.  Em 2017 vai colocar tanto Fátima como Aparecida em confronto com sua própria história.

Este confronto com a história é indispensável para dimensionar qualquer fenômeno humano. O ano de 2017 nos dará a moldura adequada, para enquadrar ambos os fatos, e perceber sua consistência.

A coincidência de datas nos instiga a fazer um paralelo entre Fátima e Aparecida, constatando de imediato que ambas recebem da história uma inegável confirmação, que requer uma adequada compreensão.

Uma análise histórica do que significa hoje Aparecida, com seu impressionante complexo religioso, fica facilitada se tomarmos em conta que já são trezentos anos de construção de uma rica e profunda mensagem religiosa e social que foi se agregando em torno da pequena imagem encontrada por gente simples nas águas de um rio.         E ao fazermos as contas que já se passaram cem anos dos episódios de Fátima, também nos damos conta que o fenômeno, como quer que seja interpretado, carrega consigo o atestado de veracidade histórica da divulgação de sua mensagem.

Algumas ponderações são importantes para situar bem os fenômenos que tomam a forma de “aparições” de Nossa Senhora.

A começar com a atitude oficial da Igreja Católica. Ela nunca se pronuncia sobre as circunstâncias concretas de pretensas aparições. Inclusive, recomenda cautela, para que ninguém se apresse em atribuir a Deus o que pode ser explicado humanamente. Ainda mais diante do fenômeno das “aparições”, tão propício a achar que é objetivo o que não passa de  projeções subjetivas.

Diante desses fatos, a Igreja está atenta, isto sim, para perceber os seus desdobramentos. Se em torno deles se aglutinam mensagens positivas, com evidente conotação evangélica, a Igreja relativiza os fatos, e incentiva a vivência das mensagens, aconselhando que elas sejam confrontadas com o Evangelho e com a doutrina cristã, para receberem uma consistência ainda maior.

Em Fátima, por exemplo, desde o início foi se divulgando a importância da oração, da conversão pessoal, e a preocupação pela paz mundial.  A memória dos episódios ocorridos em 1917  pode estimular esses valores, sem perdermos tempo em investigar como  teria se dado a manifestação de Maria aos três adolescentes.

Quanto à Aparecida, ocorre um fato muito singular. Aí não se trata de “Aparição”. Mas do encontro, muito simplesmente, de uma pequena imagem, que foi recebendo significados muito positivos, pela atitude de fé com que ela foi recolhida, recomposta, revestida, atraindo o carinho e o respeito das pessoas que iam se congregando ao seu redor, até constituírem uma verdadeira comunidade que tinha naquela pequena imagem o reflexo de si mesma. Podemos dizer que, na verdade, em Aparecida, não houve uma “aparição” de Maria. Mas houve a aparição de  uma verdadeira comunidade eclesial. Toda a estruturação da religiosidade em torno da “Aparecida”, partiu de realidades bem palpáveis e objetivas, que proporcionaram um contexto de fé muito consistente e providencial, que aos poucos foi se espalhando por todo o Brasil.

Tanto Fátima como Aparecida estão a serviço do Evangelho de Cristo, que precisa se encarnar nas condições históricas em que vivemos.

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