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A Vida venceu a morte

Estamos nos aproximando da celebração do grande acontecimento da nossa salvação: o mistério pascal  da  sagrada  Paixão,   Ressurreição dos mortos,  e gloriosa Ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo. “Por este mistério, Cristo, morrendo, destruiu a morte e ressuscitando, recuperou a nossa vida” (SC, 5). Vamos mergulhar neste mistério de morte e ressurreição para morrermos para o pecado e ressuscitarmos para vida nova em Cristo.

Vivemos num mundo, no qual percebemos muitos sinais de morte (ex. violência, injustiças, corrupção, narcotráfico, tráfico humano, aborto, terrorismo, exclusão social…). Num mundo marcado por sombras da morte, somos chamados como discípulos missionários de Jesus Cristo a realizar uma missão para comunicar a vida, pois “a proposta de Jesus Cristo a nossos povos, o conteúdo fundamental dessa missão,  é a oferta de vida plena para todos” (DA, 360). Para isso, precisamos da força do Vivente, aquele que venceu a morte. Pelo seu mistério pascal Cristo infunde em nós esta força.

Ouviremos, na Solene Vigília Pascal, o anúncio da Ressurreição, o anúncio da vitória da vida sobre a morte. Esta é a grande notícia que nos enche de esperança, pois com a Ressurreição de Jesus a morte não tem mais a última palavra, ela foi vencida pela vida. Somos chamados a viver e anunciar esta verdade, defendendo e promovendo o dom da vida humana.

Viver  a   ressurreição, hoje,  significa proclamar com fé que Jesus “morreu por nossos pecados” (1Cor 15, 3), “ressuscitou dos mortos” (1Cor 15, 20) e que o “Vivente… vive pelos séculos dos séculos” (Ap 1, 18). Tal  é  a convicção das primeiras testemunhas: “é isso que tanto eu como eles temos pregado e é essa a fé que abraçaste” (1Cor 15, 11).  E é decisiva: “se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é sem fundamentos, e sem fundamento também a vossa fé” e “somos, dentre todos os homens, os mais dignos de compaixão” (1Cor 15, 14.17.19). Esta  é  a pregação dos apóstolos que chegou  até  nós  e  alimenta nossa fé e esperança.

A ressurreição de Cristo representa também a passagem obrigatória do homem para chegar a “uma esperança viva” (1Pd 1, 3). E se trata de uma garantia. De fato “se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. Sabemos que Cristo, ressuscitado dos mortos, não morre mais. A morte não tem mais poder sobre ele” (Rm 6, 8-9). E também: “Ressuscitados com Cristo” nós  devemos “buscar as  coisas  do   alto” (Cl 3, 1).  A   nossa  ressurreição  com  Cristo  encontra Nele  o  seu fundamento  e a realização, e apoia-se  sobre  a  certeza de que  Cristo ressuscitou  dos  mortos uma vez para sempre. Em Jesus  Cristo  nós  passamos  da  morte   para  a  vida.   Mas   esta  passagem  da  morte  para  a vida, vivemos na esperança.

Na celebração da Páscoa somos chamados  a  contemplar  o  Ressuscitado,  a  crer  na Ressurreição e testemunhá-la  com  nossa vida, no dia a dia.  De  que  maneira  podemos ser testemunhas da Ressurreição do Senhor?   Somente   se  tivermos  passado    pela    experiência   da   ressurreição.  E  o  que  significa passar   pela   experiência  da   ressurreição?

No batismo nós passamos da morte para vida. Se pudermos afirmar que, a partir daquele momento, a nossa vida mudou completamente e que nada restou em nós da vida antiga, podemos apresentar-nos como testemunhas da ressurreição.

Se nas nossas comunidades todos vivem como ressuscitados, se foram abandonadas as obras da morte: os ódios, os rancores, as invejas, se não foram mais cometidas violências, vinganças…, então podemos proclamar-nos testemunhas da ressurreição. Ninguém poderá duvidar do nosso testemunho: está fundado em fatos  que todos podem verificar. Ser cristão  é essencialmente ser testemunha, em atos e palavras, do significado da presença de Jesus no meio de nós.

Somos  chamados  a  sermos    testemunhas do Cristo  vivo  no   nosso   meio.   Viveremos   essa   missão   vivendo   a  vida   nova   orientada pelos valores do Evangelho; a vida nova marcada pela fé,  pela esperança e  pela caridade.  Deixemos a  riqueza  da   Ressurreição   de  Cristo  invadir  todo  o nosso ser,  para   nos  tornarmos melhores  discípulos missionários.

Por Dom Moacir Silva, Arcebispo Metropolitano de Ribeirão Preto e Vice-presidente do Regional Sul 1 da CNBB

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