Com a palavra o Presidente

A transmissão da fé cristã: Assembleia do Regional Sul 1

Nos dia 10 a 12 de junho reúnem-se, em Aparecida, os bispos do Regional Sul 1 da CNBB, que corresponde ao Estado de São Paulo. Junto com as várias atividades previstas para essa assembléia ordinária do Regional, o tema da reflexão será “o Ano da Fé e a transmissão da fé cristã”.  A 13ª. assembléia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2012, cuja Exortação Apostólica deve ainda ser publicada pelo Papa Francisco, já teve como tema “a nova evangelização para a transmissão da fé cristã”.

O Ano da fé, promulgado pelo papa emérito, Bento XVI, está em curso e se estenderá até à solenidade de Cristo Rei, no dia 24 de novembro de 2013. Muitas iniciativas estão em curso em toda a Igreja para que este ano seja um “tempo favorável” para o reencontro com a fé, seu aprofundamento e transmissão e seu testemunho público, de muitas formas maneiras.

A assembléia dos bispos do Estado de São Paulo tem o propósito de avaliar como a vivência e a transmissão da fé está acontecendo nas Comunidades Eclesiais católicas de nosso Estado. A diversidade das situações da Igreja, de diocese para diocese, é bastante grande e, por isso, a partilha das experiências pode enriquecer e iluminar a ação evangelizadora, que se realiza em cada lugar. A Igreja é uma “comunhão” de fé, esperança e caridade; todos temos a apreender uns dos outros.

A missão primordial da Igreja é evangelizar e isso significa o anúncio da Boa Nova do Reino de Deus a todos; Jesus enviou os apóstolos a todos os povos, e não somente a alguns, ou algumas pessoas (cf Mt 28,19; Mc 16,15); por isso, a Igreja não pode jamais considerar concluída essa missão, ou cessar a sua atividade evangelizadora. Nas próprias palavras de Jesus, a missão do “bom pastor” não é apenas cuidar das ovelhas mansas, dóceis e tranqüilas, que já estão ao seu redor: sua preocupação ainda maior é com a ovelha que se perdeu ou que está em perigo, lutando com o lobo; ou com as ovelhas ainda dispersas e não estão reunidas no rebanho: “também a elas devo conduzir e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10,16).

A evangelização é toda a ação da Igreja feita para “anunciar” do Evangelho do Reino de Deus; seu objetivo é o despertar da fé, ou a sua transmissão. Isso se faz de muitas maneiras, como a pregação direta da Palavra de Deus, a catequese, a formação cristã, a celebração da Liturgia, o testemunho de vida coerente com o Evangelho, que tem a força de Deus para a transformação das pessoas e do mundo.

Da mesma forma como o semeador lança a semente, esperando que nasça a planta e produza seu fruto, assim a finalidade da evangelização é o despertar da fé, seu crescimento e cultivo, para chegar aos frutos da fé na vida pessoal, comunitária e social. Na parábola do semeador, nem todas as sementes lançadas chegam a produzir frutos, nem em quantidades iguais (cf Lc 8). Assim também acontece com a evangelização: seu fruto depende sempre da graça de Deus, que não falha, e da colaboração humana, tanto no esforço de evangelizar como na acolhida da Boa Nova.

De nossa parte, não podemos garantir a transmissão da fé; mas podemos fazer tudo o que está ao nosso alcance para favorecer essa misteriosa interação entre Deus e a pessoa humana. Podemos ser instrumentos da ação de Deus mediante o processo evangelizador, onde Deus se propõe e apresenta às pessoas. E podemos ajudar a liberdade humana, que precisa ser estimulada e ajudada a aderir a Deus e à sua ação; também aqui podemos e devemos ajudar as pessoas a darem o passo livre e libertador da adesão a Deus mediante a fé. Como testemunhas de Deus e missionários de seu Reino, podemos ser como aqueles discípulos do Evangelho, que ajudaram outras pessoas a se aproximarem de Jesus: “senhor, queremos ver a Jesus” (cf Jo 12,21).

Temos muitas ocasiões para evangelizar. São Paulo aconselhava seu amigo e discípulo Timóteo a pregar a Palavra de Deus de maneira incansável, “oportuna e inoportunamente” (cf 2Tm 4,2). Nossa falta de fé, enquanto evangelizadores, poderia levar-nos a cair na tentação de achar que não vale a pena e que tudo é inútil… O semeador que desanima, não pode ter a esperança de colher frutos algum dia…

Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e Presidente do Regional Sul 1 da CNBB

Adicionar Comentário

Clique aqui para comentar

Palavra do Presidente

NOVO ESTATUTO DA CNBB

Facebook

Assine nossa newsletter

Conheça nossos parceiros.