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A Semana Santa

Imagem: Internet/Consolata

Com a celebração do Domingo de Ramos, iniciamos a profunda caminhada espiritual da semana santa. Quero recordar aos católicos que a semana santa não deve ser transformada em mais um “feriado prolongado”. A semana santa é um tempo forte de profunda experiência espiritual, ela deveria ser como um retiro espiritual. A liturgia da semana santa tem uma riqueza espiritual única. Não se trata de folclore ou de simples tradição que, aliás, tem também seu valor, mas trata-se de uma riqueza infinitamente maior que é a renovação e aprofundamento da nossa fé pelas graças espirituais que recebemos através das ações litúrgicas.

A liturgia não é um bonito (ou enfadonho!) ritual teatral milenar. Na liturgia revivemos e experimentamos misteriosamente a graça amorosa de Deus nos atingindo. Algumas vezes a ação de Deus atinge também os nossos sentimentos ou ideias. Mas, na maioria das vezes, não sentimos ou percebemos nada, sobretudo quando Ele atinge somente o mais profundo da nossa alma. O agir de Deus em nosso ser e no nosso mundo, vai infinitamente além daquilo que podemos sentir ou entender com a nossa pobre razão. Na sagrada liturgia alimentamos e expressamos a nossa fé.

Na semana santa há uma overdose de graças espirituais ao acompanharmos os passos de Jesus que deu sua vida para nos salvar. Seguindo o relato dos Santos Evangelhos, começamos com o Domingos de Ramos, caminhando com os ramos nas mãos e saudando Jesus que entra em Jerusalém humildemente montado em um jumentinho (Mc 11, 7-11). Curiosamente, essa mesma multidão que aclamará Jesus com seus ramos nas mãos e gritando: “Hosana ao Filho de Davi, bendito o que vem em nome do Senhor!” – será a mesma que na sexta-feira seguinte gritará: “Crucifica-o”.

Na quarta-feira santa, em sinal de unidade, o bispo preside a Eucaristia na Catedral, às 20h, com todo o clero e o Povo de Deus. Nessa missa única e especial se abençoarão os três óleos que serão usados para os sacramentos nas várias paróquias e capelas. O óleo dos catecúmenos (batismo), óleo dos enfermos e o óleo do Crisma.

Chegamos ao auge da semana santa que é o tríduo pascal. Na quinta-feira santa reviveremos a última ceia onde Cristo instituiu a Sagrada Eucaristia e, por isso, depois de dois mil anos nós obedecemos à sua ordem: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19). Naquela ceia, Jesus também fez um gesto profundamente simbólico ao lavar os pés dos discípulos e nos exortou: “Pois bem, se eu lavei os pés de vocês, eu que sou o Senhor e o Mestre, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei um exemplo, para que vocês façam do modo como eu fiz” (Jo 13,14). A missa terminará com a transladação da Eucaristia para um altar lateral. As toalhas do altar serão retiradas e ele ficará desnudado até o sábado, em sinal de luto.

Na sexta-feira santa, dia de jejum e abstinência, celebraremos a paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nesse dia não se celebra a missa em nenhuma igreja do mundo, somente a celebração da Paixão do Senhor, às 15h, hora em que Jesus morreu. É feita a leitura de todo o relato da Paixão do Senhor, em seguida Cristo será adorado e será beijada a cruz onde Ele está crucificado. No final é distribuída a Sagrada Eucaristia e todos retiram-se em silêncio, do mesmo modo como entraram. No começo da noite costuma-se fazer a procissão do Senhor morto.

No sábado santo temos o ápice do tríduo pascal onde celebraremos a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. A celebração começa com o templo no escuro. Todos os fiéis se reúnem na porta da igreja ao redor de uma fogueira onde, única vez na liturgia católica, o fogo é abençoado. Com este fogo acende-se o Círio Pascal, que simboliza Cristo Vivo, luz do mundo. O presidente da celebração adentra a igreja escura e canta: Eis a luz de Cristo! As velas e as luzes do templo se acendem. Cristo está vivo, a morte foi vencida, a luz do bem destruiu as trevas do mal.

Sobre a Páscoa escreverei no próximo domingo. Que a sua semana seja, de fato, santa.

Por Dom Rubens Sevilha, OCD, bispo de Bauru

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