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A Quaresma e a Campanha da Fraternidade 2020

Ver – sentir compaixão – cuidar

Irmãos e Irmãs!

Com a Quarta-feira de Cinzas iniciamos o tempo litúrgico da Quaresma, dom precioso que nos é concedido para voltarmos ao Senhor de todo o coração. Tempo favorável para acolhermos sua graça, oportunidade para retomarmos a existência cristã e vivermos a liberdade de filhos e filhas de Deus. Itinerário para sua Páscoa e nossa, na escuta da Palavra que converte o coração, na solidariedade para com os outros, na superação da indiferença diante do sofrimento e na disponibilidade para servir com alegria.

Na Igreja do Brasil, a vivência e a espiritualidade quaresmal estão unidas à Campanha da Fraternidade que neste ano não propõe um tema específico como apelo à conversão, mas nos convida a alargar nosso olhar e a perceber que o pecado ameaça a vida como um todo, além de refletir o significado mais profundo da existência humana com o tema: Fraternidade e vida – Dom e Compromisso e o lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34). Assim ressalta-se a vida como dom e compromisso no VER, SOLIDARIZAR-SE e CUIDAR e nos conclama a superarmos toda indiferença para nos determos diante do sofrimento e dores dos irmãos e das irmãs, concretizando as práticas quaresmais com a misericórdia em nossas relações. No jejum, a exigência de esvaziar-se e abrir-se ao outro; na oração, o diálogo e a amizade sincera capazes de nos aproximar e sermos tocados pela amorosidade de Deus; e na esmola, a partilha que implica a liberdade para o cuidado zeloso dos que mais precisam.

A parábola do Bom Samaritano, proposta como texto iluminador para a oração, reflexão e ação de toda a comunidade, não tem validade apenas para o tempo da Quaresma e da Campanha da Fraternidade, mas para sua caminhada cotidiana, pois a preocupação do doutor da Lei é também sua, de cada um de nós. O que fazer para ganhar a vida eterna? Jesus, com sua firmeza e ternura, remete o doutor à Lei, Lei que este não consegue alcançar porque a compreende como um conjunto de proibições e prescrições a serem observadas com rigor. Falta-lhe perceber que a Lei pela Lei não realiza nada, e só se justifica em relação ao outro – ao próximo – a pessoa. Aí está o critério de medida ou a universalidade da Lei contemplada como amor, capaz de ver o necessitado encontrado por acaso, conforme aconteceu com o Samaritano que descia de Jerusalém para Jericó.

É a lógica de Cristo que motiva o especialista em Leis a tirar suas conclusões. Qual dos três se fez próximo do homem que caiu na mão dos assaltantes perguntou Jesus. “Aquele que usou de misericórdia para com ele”, respondeu o especialista em Leis. Jesus percebe que, a partir desse momento, aquele que o interrogará havia compreendido a dimensão do que significa o cumprimento da Lei. O próximo é aquele com quem nos encontramos, dele nos aproximamos e com ele nos detemos, sobretudo nos momentos de dor e de abandono.

A leitura atenta do texto base da Campanha da Fraternidade deste ano, a partir do nº 32, nos apresenta a lista dos que hoje têm a vida desrespeitada, violada e descartada – os caídos do nosso tempo: migrantes, refugiados, portadores de enfermidades endêmicas, mulheres maltratadas, o não reconhecimento do nascituro como pessoa, tráfico de pessoa, os órfãos e crianças vítimas do espetáculo e do consumo, o suicídio assistido, a agressão aos indígenas e suas terras, e tantas outras situações de morte que pedem nosso olhar compassivo e nosso compromisso. São muitas as iniciativas que podem ser assumidas pelas nossas comunidades. A partir do nº 214 do texto base podemos encontrá-las.

“Com a Campanha da Fraternidade, somos convidados a proclamar em todo o país que a vida, Dom e Compromisso, é essencialmente samaritana! Convertidos pela Palavra de vida e salvação, somos convocados a testemunhar e estimular a solidariedade; fortalecer a revolução do cuidado, da ternura e da fraternidade como testemunho de vida dos discípulos missionários, daquele que oferece vida em plenitude. A missão evangelizadora brota de um coração capaz de cuidar e de ser cuidado” (TB, nº 166).

A ternura e o cuidado de Maria para com Jesus, de Belém até a cruz, nos alcance a graça de acolher com alegria e gratidão o Evangelho da vida, capaz de despertar em nós a civilização do amor, da justiça, da gratuidade e da verdade.

Por Dom Sérgio Aparecido Colombo, Bispo Diocesano de Bragança Paulista. 

 

           

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