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A íntegra da homilia de Dom Nelson Westrupp na Missa dos Bispos Jubilares

dscf1512-1-300x225Publicamos a seguir a íntegra da homilia proferida por Dom Nelson Westrupp, bispo diocesano de Santo André na Missa do Bispos jubilares, na manhã desta quarta-feira, 04, na Capela Nossa Senhora da Esperança, no Hotel Rainha do Brasil, em Aparecida. A missa foi presidida durante a 77a. Assembleia dos Bispos do Regional Sul 1, realizada entre 3 a 5 de junho.

Quarta-feira da 7ª Semana da Páscoa
Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos: “Acaso Cristo está dividido?” (1 Cor 1, 1-17).
Missa em ação de graças pelos Jubileus Sacerdotais e Episcopais / 2014 – At 20, 28-38; Sl 67/68; Jo 17, 11-19

A celebração Eucarística de hoje quer ser uma fervorosa ação de graças ao Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo pelos Jubileus Sacerdotais e Episcopais de:
Dom Paulo A. Mascarenhas Roxo (25 anos de Ordenação Episcopal)
Dom Ercílio Turco (25 anos de Ordenação Episcopal)
Dom Paulo Sérgio Machado (25 anos de Ordenação Episcopal)
Dom Gilberto Pereira Lopes (65 anos de Ordenação Presbiteral
Dom Fernando Legal (55 anos de Ordenação Presbiteral)
Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues (Jubileu de Ouro Sacerdotal)
Dom José Maria Pinheiro (Jubileu de Ouro Sacerdotal)
Dom Nelson Westrupp, scj (Jubileu de Ouro Sacerdotal)

Esses Jubileus levam-nos a refletir e a aprofundar a grandeza do Sacerdócio de Cristo e sua participação por aqueles que foram constituídos pastores e mestres do Povo de Deus.

Vale a pena celebrar nosso Jubileu Sacerdotal ou Episcopal, pois é indispensável voltar sempre de novo à raiz do nosso sacerdócio.

Essa raiz, como bem sabemos, é uma só: Jesus Cristo.

A liturgia da Palavra que ouvimos, faz referência clara ao testamento pastoral de Paulo e à oração de Cristo pelos Apóstolos para que vivam na unidade. Somos convidados a nos colocar a serviço de Deus e dos outros, e a viver na unidade da fé.

Paulo escolheu e consagrou alguns anciãos em cada comunidade que fundou. Ele recomendou que estivessem a serviço da comunidade e não a seu próprio serviço, isto é, atentos “como guardas para pastorear a Igreja de Deus” (At 20, 28).

Devem, outrossim, velar pela fidelidade da doutrina da comunidade e da sua própria também, para não estarem em contradição entre o que dizem e fazem, entre o que pregam e colocam em prática, e muito menos serem ocasião de esfriamento dos laços que unem os membros da comunidade.

A missão que os anciãos exercem, foi recebida do Espírito Santo. Por isso, pastorear a Igreja de Deus é uma responsabilidade espiritual e não temporal.

Pelo seu amor e fidelidade, a comunidade cristã deve imitar a Comunidade Trinitária, ou seja, viver a unidade na diversidade, criar comunhão, ser reflexo da Trindade.

Além disso, os pastores devem defender o rebanho dos lobos ferozes, dos perigos do mundo e das forças do mal, que tudo farão para afastar os discípulos do caminho que seguem, da verdade que acreditam…

Algo semelhante encontramos na Primeira Carta de Pedro: “Sede pastores do rebanho de Deus, confiado a vós; cuidai dele, não por coação, mas de coração generoso; não por torpe ganância, mas livremente, não como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho” (1 Pd 5, 2-4).

Portanto, o discurso de Paulo é feito num tom pessoal e confidencial sobre três pontos: Fidelidade / Unidade / Dom de si mesmo.

Fidelidade, apesar das tentações do demônio, do ambiente hostil do mundo, da fraqueza pessoal. Convida os anciãos à vigilância para não se deixarem arrastar pelas modas, pelas culturas e por todos os ventos de doutrinas.Unidade: vivê-la com toda a atenção, pois é um dos sinais mais diretos da presença de Deus no meio da comunidade; a fraternidade e a comunhão são características essenciais daqueles que decidiram servir o Deus de Jesus Cristo.

Dom de si mesmo: o maior amor é dar a sua vida por aqueles que amamos, diz Jesus.

Paulo afirma que sente mais alegria em dar que em receber.

O Evangelho apresenta a oração de Cristo pelos Apóstolos. Jesus pede para que vivam na Unidade permaneçam na Fidelidade.

Quanto mais nos aproximamos do Pentecostes, mais se fala de unidade entre os cristãos. O Espírito Santo é o grande unificador, mas precisa encontrar as disposições necessárias naqueles que ele vem unir com Deus, como Seu Senhor e Guia; e entre eles como Seu povo.

É por causa disso, da dificuldade de construir e cultivar a unidade, que os discípulos devem ser consagrados na verdade, pois a verdade é una. Afastar-se dela é, por si mesmo, criar a divisão. Desfazer a unidade é expulsar o amor; é rejeitar Cristo e a sua mensagem que o Espírito Santo nos recorda constantemente. Permanecer na fidelidade é uma condição da unidade. Se a unidade é desfeita é sinal que houve, em algum lugar, em algum grupo, uma falta de fidelidade.

Enfim, a fidelidade só é possível pelo Espírito Santo.

Dado que somos seres limitados e fracos, influenciáveis, só pelo auxílio do Espírito Santo poderemos manter-nos na fidelidade e na verdade. Para Cristo a fidelidade é uma condição para a unidade. Esta fidelidade não se mantém sem lutas.

Quando Jesus estava com os discípulos, guardava-os; agora pede ao Pai na oração que os guarde por sua vez. Como o Pai “enviou” seu Filho, assim Jesus “envia” os Seus discípulos, e como o Filho “se consagra a si mesmo” pelos discípulos, assim pede ao Pai que “também sejam eles consagrados na verdade”. Cristo de fato reza assim: “Consagra-os na verdade. A Tua Palavra é a verdade. Eu consagro-me por eles, para que também eles sejam consagrados na verdade” (Jo 17, 17.19).

Esta oração de Jesus pelos Seus vem logo depois de outra: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (Jo 17, 15).

O chamamento de Jesus separa os discípulos do mundo, mas, embora não sejam do mundo, não os tira do mundo, e isto para que mediante a Sua Palavra, o mundo chegue à fé em Cristo (cf. Jo 17, 16-17).

A palavra da verdade santifica o discípulo, afasta-o da lógica mundana e transforma-o em missionário.
A consagração na verdade, a libertação e a proteção contra o maligno não são realidades adquiridas de uma vez para sempre, mas exigem uma fidelidade constante.

Não esqueçamos nossa grande responsabilidade no mundo em que vivemos: mostrar o rosto verdadeiro de Cristo – através do nosso ministério sacerdotal – a todos aqueles que O procuram e não O encontram.

“Ser sacerdote, na Igreja, significa entrar nesta autodoação de Cristo, mediante o Sacramento da Ordem, e entrar totalmente nela. Jesus doou a vida por todos, mas de modo particular, consagrou-se por aqueles que o Pai já lhe tinha confiado, para que fossem consagrados na verdade, isto é, Nele, e pudessem falar e agir em seu nome, representá-lo, prolongar seus gestos salvíficos: partir o pão da vida e perdoar os pecados” (Bento XVI, 3/5/2009).

Enfim, peçamos a Nossa Senhora que, no Cenáculo, recebeu juntamente com os Apóstolos e com os outros discípulos o dom do Espírito Santo, nos ajude a cada um de nós, caros irmãos no sacerdócio e no episcopado, a deixar-nos transformar interiormente pela graça de Deus, e assim, sermos imagens fiéis do Bom Pastor e desempenhar com alegria a nossa missão de conhecer, guiar e amar o rebanho que Jesus resgatou como preço do seu sangue (cf. Bento XVI, Homilia, 29/4/2007).

Dom Nelson Westrupp, scj,Bispo Diocesano de santo André

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