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A Homilia do novo Bispo de Franca, na íntegra

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Dom Paulo Roberto Beloto tomou posse em Franca

O Bispo Diocesano de Franca (foto), dom Paulo Roberto Beloto, tomou posse neste domingo (15). O novo bispo veio da cidade de Formosa GO. Dom Paulo tem como lema episcopal: “Evangelli Servus”, Servidor do Evangelho. Publicamos abaixo sua íntegra, como divulgado no site oficial da Diocese de Franca:

  1. Homilia de Posse de Dom Paulo Roberto Beloto

1 – Agradeço a presença de todos que vieram para rezar comigo este novo compromisso: bispos, presbíteros, diáconos, seminaristas, consagrados (as), lideranças, autoridades e Povo de Deus.

2 – O que irá falar o novo bispo? O que deve falar o novo bispo?

Primeiramente, que Deus nos ama, por isso nos confia responsabilidades. Ele sabe dos nossos limites, que “somos instrumentos frágeis”, mas mesmo assim conta conosco. Este é o nosso consolo: o amor de Deus.

3 – No dia 10 de setembro recebi um telefonema de Dom Giovanni, Núncio Apostólico no Brasil, dizendo que o Santo Padre, o Papa Francisco, havia me nomeado como bispo de Franca. Fiquei surpreso com a notícia e pedi uma audiência na Nunciatura, para tratar do assunto com mais calma.

No dia 12 estive com Dom Giovanni: apresentei-lhe as minhas dificuldades pessoais e também as da diocese de Formosa para uma possível transferência. Fiquei de escrever ao Santo Padre a minha resposta. Disse que acolhia a incumbência com obediência, mas que este não seria o momento oportuno para uma transferência, pelo fato da diocese já ter experimentado a sede vacante.

Alguns dias depois veio a resposta confirmando a minha nomeação. Respondi, por escrito, que acolhia com generosidade a missão.

O Papa Francisco disse a um grupo de bispos, recentemente ordenados, que não devemos ser ambiciosos, esposos de uma Igreja à espera de outra. Senti-me um pouco infiel à minha primeira esposa.

4 – O que vim fazer em Franca? Continuar a minha missão de bispo.

Na audiência geral de 16 de outubro, dando continuidade à catequese sobre o Credo, o Santo Padre falou da apostolicidade da Igreja. A Igreja é apostólica, pois tem um vínculo constitutivo com os apóstolos. O apóstolo é um enviado por Jesus e pela Igreja para dar continuidade a sua obra. O Papa Francisco destaca duas tarefas do bispo, sucessor dos apóstolos: rezar e anunciar o evangelho.

Estou sendo enviado à Franca para rezar com vocês e anunciar o Evangelho. A Igreja é apostólica porque está fundada na oração e na pregação dos apóstolos.

5 – Rezar, a primeira tarefa. “A oração é para um bispo como o bastão no qual deve apoiar-se no seu caminho de cada dia”. Quando faço uma visita pastoral às paróquias, digo aos fiéis que a minha primeira ação ou o motivo da visita é rezar com eles, principalmente a Eucaristia. Não há tarefa melhor, urgente, necessária e mais sublime: “é uma prioridade”, nas palavras de Bento XVI. A oração é tratar de amizade, é caminho e união com Deus. Como falar de alguém se não o conheço e não estabeleço com ele uma comunhão?

Paulo compara a Igreja a um edifício. Somos pedras vivas, formando esta construção, assentada sobre os apóstolos, como colunas, tendo como pedra angular o próprio Jesus. Ele é a base da Igreja. A nossa fé se fundamenta em Jesus Cristo.

Francisco – o Papa – diz que a Igreja é como uma planta, que ao longo dos séculos, cresceu e se desenvolveu dando frutos. As raízes da Igreja estão plantadas em Cristo. A Igreja católica de Franca faz parte desta planta. Vim para ajudar a cuidar da mesma.

Os apóstolos viveram a experiência de amizade e comunhão com Cristo. Tiveram um tempo de aprendizado com Ele. Transmitiram essa novidade para nós. Este é o nosso caminho.

Na sua Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”, a Alegria do Evangelho, o Papa Francisco destina um capítulo para tratar da espiritualidade. Fala de uma evangelização com espírito, ardorosa, alegre, generosa, ousada, cheia de amor, com Espírito Santo. É o encontro pessoal com o amor de Jesus que nos salva. “Unidos a Jesus – diz sua santidade – procuramos o que Ele procura, amamos o que Ele ama”. O amor é a nossa força.

Peço para me deixar iluminar pela fé de Maria, que é minha mãe. Olho para ela como modelo de confiança em Deus, que deseja o meu bem.

6 – A segunda tarefa é evangelizar. Escolhi como lema episcopal: “servidor do Evangelho”. Esta é a missão do bispo, servir a Cristo e a Igreja. “Entrar na sucessão apostólica significa entrar na luta pelo Evangelho”.

A Igreja existe para evangelizar. Ela guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, o bom depósito, as palavras recebidas dos apóstolos.

O Papa usa a imagem do rio que corre na história e leva ao mundo a água que brota da única fonte que é Cristo.

A Igreja é a presença de Jesus no meio de nós. É enviada a anunciar o Evangelho. O bispo, sucessor dos apóstolos, é o primeiro responsável por esta missão.

Como evangelizar? Pode ser uma tarefa simples, pois basta amar. Mas também complexa, pois a sociedade é complexa. Daí a necessidade da nossa comunhão e colaboração de todos.

Evangelizamos com a palavra, com a vida, com o testemunho, com os gestos. Sendo presença, indo ao encontro. Sendo “uma Igreja em saída”. Somos servidores da comunhão e da cultura do encontro. “Uma Igreja fechada atraiçoa a identidade que lhe é própria”. Nunca foi tão urgente o diálogo, a tolerância, o reconhecimento do outro, o encontro.

A nossa missão é tornar visível às pessoas de hoje a misericórdia de Deus, seu amor e a sua ternura por todas as criaturas. Tornar possível a verdade que é o amor de Deus por nós em Jesus Cristo.

Olhamos para Maria que levou Jesus. A Igreja é como ela: sua missão é levar Jesus, como Maria, quando foi visitar Isabel. Peçamos sempre a sua intercessão. Ela é a mãe que caminha conosco. Tenhamos o espírito mariano em nossas atividades pastorais.

A Igreja deve levar o amor de Jesus que compartilha e perdoa. Levar o calor do Espírito que inflama o coração.

7 – O Papa não fez referência na sua alocução, mas o bispo é também aquele que governa. Temos aqui uma terceira tarefa. Árdua, mas necessária. Estou aqui em Franca, em nome de Cristo, como pastor para cuidar desta porção do Povo de Deus.

Peço que a caridade pastoral seja a alma do meu apostolado, o eixo da minha autoridade, dos meus conselhos, das minhas exortações e exemplos. É preciso harmonizar o ministério da misericórdia com a autoridade do governo.

Maria soube cuidar e governar bem sua casa, como toda mulher judia. Que ela interceda para que eu cuide bem desta família diocesana.

8 – O meu brasão episcopal tem como referências essas três tarefas do bispo: santificar, ensinar e governar. São funções que exprimem o ministério pastoral que cada bispo recebe com a consagração episcopal.

9 – Na minha ordenação, disse que o ministério que assumo não é meu. Fui posto a reger a Igreja em nome de Deus. Minha gratidão a ele, à Igreja, ao sucessor de Pedro e a todos que me confiaram e rezam por esta minha missão. Minha gratidão a tantas pessoas que me ajudaram a acolher a vocação à vida, a vocação cristã, o ministério ordenado: minha família, parentes, amigos, formadores, minha família diocesana. Minha gratidão a vocês que me acolhem. Deus abençoe a todos. Conto com as suas orações e apoio.

Rezem pela minha obediência. E por ela que estou aqui. A obediência cristã é um ato de fé. E pelo bem da Igreja que prometi obediência ministerial. Desejo a graça da disponibilidade e da generosidade para acolher esta incumbência que me foi confiada.

Que Maria, nossa Mãe Imaculada Conceição, me obtenha “a graça de nunca faltar à dádiva de amor que Cristo” me confiou.

10 – Sou o menor no Reino dos Céus. Por isso, nas palavras de Jesus, sou maior do que João Batista. Que este santo me ajude a ficar firme no Senhor, até a sua vinda.

11 – Vocês estavam esperando o bispo: agora juntos, firmes, com ânimo, esperemos Aquele que vem para nos salvar.

12 – O papa Francisco disse que a homilia deve ser breve: concordo plenamente com ele. Perdoem-me, se hoje, foi longa. Mas se ela ajudou a unir ainda mais os corações que se amam, o do Senhor, e os de vocês, fico feliz.

Obrigado.

Dom Paulo Roberto Beloto

Fonte: Pastoral Diocesana de Comunicação

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