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Visitas às comunidades marcam experiência missionária na Amazônia

A viagem que marca os 25 anos do Projeto na Amazônia durou vinte dias e esteve inserida no contexto do Sínodo da Amazônia, convocado para o mês de outubro pelo Papa Francisco.

Os missionários mantidos pelo Projeto de comunhão e solidariedade entre as Igrejas dos Regionais Sul 1 e Norte 1 da CNBB receberam a equipe do Regional Sul 1 da CNBB para mostrar algumas de suas atividades pastorais. A visita, realizada entre os dias 22 de março a 10 de abril, teve como objetivo criar uma oportunidade para que os visitantes entrassem em contato com a realidade local e, com isso, conhecer o trabalho dos missionários na região amazônica.

Os sete missionários do Regional Sul 1 da CNBB que passaram quase um mês na Amazônia começaram já com um grande desafio: as enormes distâncias entre as comunidades da Amazônia.
O bispo referencial da Comissão para Ação Cooperação Missionária, Dom José Luiz Bertanha; o secretário executivo, padre João Deschamps; o secretário administrativo, Diácono Domingues; sua esposa Maria Aparecida Domingues e os jornalistas Renato Papis (do Regional Sul 1) e os repórteres da Rede Vida, Luciana e Paulo Martins, embarcaram no dia 22 para a Arquidiocese de Manaus.

Ao chegar em Manaus, os missionários foram recebidos pelo secretário executivo do Regional Norte 1 da CNBB, Diácono Francisco Andrade de Lima, no aeroporto. Ele comentou a expectativa de acolher a comitiva: “A nossa Arquidiocese, Dioceses e Prelazias ficaram muito contentes por receber a equipe; houve uma expectativa muito positiva: as paróquias e as comunidades se prepararam com bastante animação”.

No primeiro dia após a chegada, aconteceu a primeira visita missionária em Rio Preto da Eva, a 80 km de Manaus, conduzida por Dom José Albuquerque, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus. Depois visitaram a Comunidade Santa Luzia, à beira do Rio Negro, 40 minutos de lancha.

Na manhã do dia seguinte, foi celebrada, na Catedral Metropolitana de Manaus, uma Missa para recordar os 25 anos do Projeto de Comunhão e solidariedade entre as Igrejas dos Regionais Sul 1 e Norte 1. A Missa foi presidida por Dom Sérgio Castriani, arcebispo de Manaus e concelebrada por Dom Mário Antonio da Silva, bispo de Roraima e presidente do Regional Norte 1, por Dom José Luiz Bertanha, bispo emérito de Registro e referencial deste Projeto e pelos padres missionários.

Para o presidente do Regional Norte 1 da CNBB, Dom Mario Antônio da Silva, o projeto de comunhão e solidariedade da Missão do Regional Sul 1 e Norte 1 tem marcado muito a missão e a caminhada das comunidades tanto na Amazônia como em Roraima. “Estamos muito agradecidos pelos 25 anos deste projeto aqui em nossas dioceses, prelazias e arquidioceses. É de fato um momento bonito poder dizer que é uma página viva da Missão do Ide e anunciai, que o próprio Jesus pede a toda a Igreja. É de fato momento de agradecer a Deus e de agradecer a todos os missionários que com sua dedicação e empenho têm nos ajudado e acompanhado na formação e animação de nossas comunidades, que são numerosas, são pequenas, mas cheias de vida e cheias de Deus. Realmente é uma grande alegria para o Norte 1 poder celebrar com todo o Regional Sul 1 e poder consolidar estes 25 anos na esperança de tantos e tantos outros anos, para que a Missão continue fecundando o coração de nossas comunidades e produzindo frutos para o nosso Regional, para os Regionais do Brasil e toda a nossa Amazônia”, finalizou o bispo.

Em seguida, no Seminário São José em Maromba, Manaus, aconteceu um encontro com missionários e missionárias que atuam na Amazônia. O encontro também serviu para expor “à Luz do Sínodo da Amazônia os desafios e alegrias do trabalho de evangelização na Amazônia”. Nessa perspectiva, os missionários que atuam nas dioceses e prelazias do Regional Norte 1 e outras pessoas presentes no encontro emitiram uma síntese do trabalho.

No quarto dia da visita, partiram para mais uma experiência missionária, na área de Missão em Tarumã Mirim, que atende sete comunidades. A comunidade Nossa Senhora de Fátima, fica as margens do Rio Negro e para chegar ao local é possível somente pela água, de voadeira. Foram recebidos pela Irmã Maria, das Filhas do Coração de Maria, e a leiga Maria das Graças. As irmãs ajudam no serviço das comunidades, na Pastoral da Criança e oferecem curso de artesanato para mulheres da comunidade.

O meio de locomoção mais popular é a rabeta. A vida regida pelas águas em meio a paisagem deslumbrante

Em Tefé, conheceram o trabalho feito pelo padre Valdemar dos Reis. A área da prelazia é maior do que o Estado de São Paulo, mas com a densidade demográfica menor que 1 habitante por km². A diocese conta com 22 sacerdotes, mais as religiosas, diáconos e leigos, tem 62 comunidades ribeirinhas.

Para o bispo prelado de Tefé, Dom Fernando Barbosa dos Santos, o envio dos missionários, entre os quais padre Valdemar dos Reis, incentiva e anima os missionários que vêm prestar este serviço de Evangelização. “Na presença de vocês, queremos celebrar juntos os 25 Anos de Projeto. Primeiramente é uma Igreja que necessita e faz comunhão com outra Igreja que envia seus missionários. Depois o aprendizado dos missionários com o nosso povo ribeirinho, com os povos indígenas e tanto nesta Igreja que necessita de mais trabalhadores na causa do Reino. Este Projeto é muito importante! Eu louvo a Deus por este Projeto. A nossa Igreja na Amazônia conta com mais missionários e apóia e anima quem deseja vir e prestar este tempo de serviço para o povo da Amazônia”, declara o bispo.

Já o padre Valdemar afirmou que ser missionário nessa Prelazia significa estar a serviço de uma Igreja que tem necessidade de missionários e se coloca a serviço com alegria e disponibilidade, acolhendo o chamado para celebrar a vida, celebrar a fé e promover o Reino de Deus.

Desde o início do Projeto, a maioria das dioceses, prelazias e pessoas foram beneficiadas pelo Projeto.  Por exemplo, Sandro Augusto Regatieri, do interior de São Paulo, atuou como missionário nas áreas urbanas e rurais, em 1999. Atualmente vinculou-se ao Instituto Mamirauá. Ele Trabalhou na diocese de Humaitá, depois em Guajará-Mirim e Uarini. Segundo ele o Projeto mudou a sua vida. “Acredito que o Projeto me ajudou a sair do meu comodismo e ser comunhão com os irmãos daqui da Amazônia. Trazer um pouco da Igreja de São Paulo para cá, mas ao mesmo tempo Evangelizar a Igreja de São Paulo que estava dentro de mim com esta experiência amazônica. A Igreja na Amazônia é tão rica e tão pobre ao mesmo tempo, mas consegue carregar o Evangelho de uma maneira muito viva. Hoje sou um ser humano melhor por causa desta experiência”, testemunha.

A equipe foi informada ainda que os missionários enviados pelo Projeto têm atuação significativa nas Pastorais Sociais e nos Conselhos. “A contribuição dos missionários e missionárias foi imensurável, principalmente para as famílias em situações de vulnerabilidade e para as paróquias mais distantes da Prelazia. Com a presença dos missionários muitas vezes saiam da situação em que viviam, com a parte da missão. Alguns missionários que vieram ficaram inseridos em Pastorais Sociais, a própria pastoral chegou a ser coordenada por um missionário. A presença de mulheres missionárias também chama atenção. Vieram para cá algumas mulheres que a gente só tem que agradecer ao projeto por confiar à Prelazia de Tefé essas pessoas que vieram e que doaram parte da sua vida aqui, e também aos homens que vieram e deram sua contribuição. Agradecemos pelo Projeto. Esperamos contar sempre com esta grande contribuição que o Projeto deu e continua dando”, revela a presidente da Cáritas da Prelazia de Tefé, Francisca de Andrade Lima.

Dom José Luiz Bertanha acompanhou os missionários nas visitas às comunidades

Outro momento foi dedicado à visita a Diocese de Coari, às margens do Rio Solimões, onde conheceram o trabalho do padre Fabiano Kleber Cavalvante, e visitaram a comunidade ribeirinha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, do Santuário São Francisco de Anamã.

A próxima parada foi em São Gabriel da Cachoeira, para a visita à diocese, na fronteira entre o Brasil, a Colômbia e a Venezuela. É a diocese com maior porcentagem de população indígena, superando os 90%. Com uma extensão de 293.000 quilômetros quadrados, nela habitam 23 povos indígenas que falam 18 línguas diferentes, três delas, tukano, baniwa e nheengatú, oficiais no município de São Gabriel da Cachoeira.

Na diocese, a equipe visitou algumas comunidades indígenas, entre elas a reserva de Taracuá, no rio Uaupés. O bispo diocesano de São Gabriel da Cachoeira, Dom Edson Damian, partilhou o seu contentamento em receber a equipe e poder apresentar uma realidade tão desafiante. “A diocese de São Gabriel da Cachoeira tão isolada, de difícil acesso, sempre recebe as visitas com muita alegria e gratidão. Ainda mais esta, festejando os 25 anos do Projeto Igrejas Irmãs e divulgando a nossa realidade de São Gabriel da Cachoeira. Esses dois dias praticamente foram muito intensos, eu sei que dei um cansaço para equipe, mas eu quis mostrar o máximo que a gente podia, para ver como a gente se esforça para atender as grandes urgências e necessidades, principalmente dos povos indígenas, que sempre foram excluídos e ainda hoje são vistos com tanto desprezo e com tantos preconceitos”.

Dando continuidade as visitas missionárias na Amazônia, o próximo destino da equipe do Regional Sul 1, foi Boa Vista, Diocese de Roraima. Em Boa Vista, a equipe conheceu alguns Projetos de acolhimento e integração dos venezuelanos que chegam em busca de melhores condições de vida. Entre os trabalhos visitados, estão o Projeto Social Mexendo a Panela, da Paróquia Nossa Senhora da Consolata; Caritas Diocesana e o CMDH – Centro de Migrações e Direitos Humanos da Diocese de Roraima.

Na visita, eles conheceram também os trabalhos dos missionários presentes na diocese. Entre as comunidades visitadas estiveram a comunidade Santa Luzia, em São Luiz do Anauá, e a Capela do Cristo Ressuscitado, ambas na Diocese de Roraima. Os padres Adeilson Rodrigues dos Santos e Edmilson Abreu Silva, juntamente com o diácono permanente, Paulo Morais de Oliveira, e sua esposa colaboram na evangelização de algumas áreas pastorais, como indígena e migrante.

Lanchas, barcos e navios são os meios de transporte mais utilizados na região amazônica

O bispo de Roraima, Dom Mario Antônio da Silva, que recebeu a equipe em sua diocese, salientou a alegria de poder receber a equipe peregrina nesses 25 anos de aliança missionária entre os Regionais Norte 1 e Sul 1 da CNBB. “A Igreja de Roraima também tem muita gratidão, juntamente com as demais igrejas particulares de nosso Regional, gratidão às dioceses do Estado de São Paulo, sobretudo aos missionários, à equipe do Regional que esteve aqui conosco, animando as nossas comunidades, estimulando os missionários a perseverarem e continuarem, sendo também um incentivo para os nossos cristãos leigos para a vida religiosa, para o nosso clero, e até mesmo para nós bispos para continuarmos a nossa caminhada missionária na Amazônia. Ao lado da alegria e da gratidão, também a esperança que este Projeto continue produzindo frutos para as nossas Igrejas tanto no Sul 1, quanto no Norte 1, bem como também para Amazônia e de todo nosso Brasil. Para que esta parceria, está aliança missionária, possa ser estreitada e continuar a produzir frutos numa Igreja em saída, missionária, profética e samaritana”, expressou.

Os missionários agradeceram o arcebispo metropolitano de Manaus, Dom Sergio Castriani e também às dioceses e prelazias pela calorosa acolhida.

Os missionários atendidos pelo Projeto de cooperação missionária atuam nas Igrejas de Coari, Manaus, Roraima, São Gabriel e Tefé. A viagem durou 20 dias, de 22 de março a 10 de abril.

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