Artigos

“Tempus Fugit”

O tempo voa! Sobretudo, quando chega o final do ano, nos damos conta de que o tempo passa depressa. Algumas pessoas se apavoram com o avanço da velhice e a aproximação da morte. É o momento em que muitos fazem uma avaliação da própria vida, perguntando-se: “o que foi que eu fiz na vida? Ela foi medíocre? A vida é só isso?”

Para os ateus, cada dia que passa é um dia a menos de vida; a contagem é regressiva e eles pensam que vão, inexoravelmente, caminhando, desesperadamente, para o nada.

Para nós, cristãos, cada dia que passa é um dia a mais de vida. A contagem cristã do tempo é progressiva. A nossa existência começou na eternidade no coração de Deus e terminará na mesma eternidade, nos braços do Pai Celestial.

O nosso tempo de vida nesse mundo nos é dado para realizarmos uma única missão: fazer o bem. Não é fácil fazer o bem sempre e para com todos, sem exceção. É necessário conversão ou reeducação do nosso ser, a vida toda, para conseguirmos, com a graça de Deus, ser bons e fazer o bem. Sem Deus o ser humano não consegue ser bom e fazer o bem sempre e para com todos.

O bonito e ecumênico nome de cristãos une todos os que são chamados por Deus e se decidem a seguir Jesus Cristo, a lutar unidos pela causa de Jesus: a construção do Reino de Deus.

No Brasil temos, estatisticamente, cerca de 90% da população que se autodenomina cristã. Como é possível haver tamanha violência, corrupção e pobreza entre irmãos que se declaram seguidores de Jesus? Infelizmente, essa aparência de cristianismo é somente um verniz.

A vida é sempre uma maravilhosa mistura de coisas boas e ruins: trigo e joio! Mas, sempre temos a sensação de que ficou faltando alguma coisa. E faltou mesmo! Está faltando o desfecho da existência que é a eternidade, o céu.

Cada ser humano que pisou neste mundo foi planejado por Deus, desejado por Deus, criado por Deus. Conclusão: ninguém nasce por acaso ou por acidente. Mesmo naqueles casos em que a mãe ou o pai não queriam aquela gravidez, a vida começa sempre no coração de Deus. Os pais não criam a vida, são intermediários dela. Por isso, Jesus disse que só Deus deve, de fato, ser chamado de Pai.

Deus nos criou para amá-lo e também para amar os seus filhos, nossos irmãos e irmãs. Ele nos colocou neste mundo para fazer o bem. Jesus é o modelo para nós do “verdadeiro homem”; Ele passou fazendo o bem (Atos 10, 36).

Na verdade, amar e fazer o bem são sinônimos. O resultado de quem ama e faz o bem é a felicidade que jorra na alma. Quer ser feliz? Há somente uma maneira de alcançá-la: ser bom e fazer o bem, ou seja, amar.

Obviamente, a felicidade neste mundo é limitada e incompleta! Somente o amor de Deus é completo. Quando atravessarmos a porta da morte e recebermos o doce abraço do Pai, a felicidade será total, plena, eterna.

Se você se sente muito infeliz é porque ainda não está sendo suficientemente bom e fazendo o bem. Comece a ser bom e a fazer o bem nas pequenas coisas cotidianas e a alegria, milagrosamente, começará a brotar, suavemente, no seu coração.

Provavelmente, somente na idade madura, após os cinquenta anos, o ser humano alcança a possível “felicidade estável”, feita de simplicidade e de pequenas coisas. Quanto à felicidade total, que só é possível no Céu, está se aproximando a cada ano que termina. “Tempus fugit”. Feliz Ano Novo!

Dom Sevilha, OCD, bispo de Bauru

Adicionar Comentário

Clique aqui para comentar

Palavra do Presidente

Facebook

Assine nossa newsletter

Conheça nossos parceiros.