Artigos

Pedro, Paulo e Francisco

Irmãos e Irmãs!

Celebramos no mês de junho, os dois grandes Apóstolos, Pedro e Paulo. Considerados na Tradição “Colunas da Igreja”, manifestam a unidade e a diversidade em sua missão que, ontem como hoje, é EVANGELIZAR. “Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da Salvação”. Ambos, por caminhos diferentes anunciaram Jesus de Nazaré, morto e ressuscitado, Senhor e Salvador, “congregaram a única família de Cristo” e deram d’Ele o mais perfeito testemunho, selando-o com o martírio. Pedro, o primeiro entre os Apóstolos, teve o privilégio de ouvir do próprio Jesus: “Avance para águas mais profundas” (Lc 5,4), sinalizando o significado e as exigências da missão no seguimento e obediência à Sua Palavra. Paulo, chamado pelo Ressuscitado na estrada de Damasco, torna-se Apóstolo destemido e grande missionário para além das fronteiras de Israel. Tanto para Pedro como para Paulo, a proposta de Jesus torna-se caminho capaz de construir uma nova história.

Enleva-nos a profissão de fé de Pedro: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16), fé que garantiu o fundamento da Comunidade – Igreja, constituída por Jesus e entregue aos cuidados de Pedro e de seus companheiros; fé traduzida na fidelidade ao Projeto do Reino de Deus anunciado por Jesus, que jamais se deixou vencer por satanás com suas propostas alternativas e, sobretudo, não fracassando em tempos de conflito, sofrimento, perseguição e morte.

Contemplando os Apóstolos Pedro e Paulo, contemplamos a unidade e a diversidade da Igreja, porque como afirma Santo Agostinho, “o que foi atribuído a Pedro pessoalmente, foi dado a todos os Apóstolos”. Assim, todos receberam o Espírito Santo e o poder de perdoar os pecados (Jo 20, 22-23). E ainda, quando o Ressuscitado confia a Pedro a tarefa de pastorear as ovelhas, está dizendo que ele deveria ser o primeiro e o exemplo para todos os que estavam com ele e que viriam depois.

Na solenidade de São Pedro e São Paulo nos unimos ao Papa Francisco, que numa sucessão ininterrupta continua hoje a missão de Pedro na Igreja. Ele é o duocentésimo sexagésimo sexto Papa. Homem de profunda experiência de Deus,  incansável e inabalável no zelo para que toda a humanidade redescubra e se encante com o Deus da vida, Deus misericordioso, criador e Senhor de todas as coisas. E, que em Jesus Cristo, seu Filho, garante o sentido da vida, hoje e por toda a eternidade.

O Papa Francisco em sua homilia no início do ministério, na Praça de São Pedro em Roma, no dia 19 de março de 2013 afirmou: “… Perante tantos pedações de céu cinzento, há necessidade de ver a luz da esperança e de darmos, nós mesmos, a esperança. Guardar a criação, cada homem e cada mulher, com olhar de ternura e amor, é abrir o horizonte da esperança, é abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens, elevar o calor da esperança!… ”.

Com certeza podemos dizer que nele, continua viva a profissão de fé de Pedro em Cesaréia de Filipe, assim como a profissão de fé de toda a Igreja; nele, faz-se ouvir o apelo de Jesus Ressuscitado: “Confirma os teus irmãos” (Lc 22,32).

Peregrino da esperança e da paz encanta-nos com sua simplicidade. A fragilidade marcada pelo peso dos anos e pelo trabalho incansável, não o impede de prosseguir o caminho edificando a todos com sua palavra sábia e presença perspicaz. Como Bento XVI, em suas viagens pastorais, reúne multidões, especialmente os jovens, os pobres, os sofredores, pequenos e grandes. Em terras brasileiras inspirou profunda simpatia. Como São Paulo, seu desejo é ganhar o maior número possível de irmãos e irmãs para Cristo (1Cor 9,19) – “Caminho, Verdade e Vida”.

Rezemos pelo Papa e com o Papa, para que, na força do Espírito Santo, continue promovendo o diálogo para a unidade dos cristãos e a aproximação dos líderes religiosos de todo o mundo. Juntos, busquem aprimorar o respeito entre as religiões, para que a solidariedade e a paz entre os povos sejam alcançadas. E peçamos pelos Pastores das Igrejas cristãs, para que “ouçam sempre o que o Espírito diz à Igreja” (Ap 2,7). Amém.

Por Dom Sérgio Aparecido Colombo, Bispo Diocesano de Bragança Paulista e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia.

 

Adicionar Comentário

Clique aqui para comentar

Palavra do Presidente

Facebook

Assine nossa newsletter

Conheça nossos parceiros.