Artigos Ações Missionárias Destaques

Missionárias que atuam na Amazônia partilham experiência

Nesta ano, em que a Igreja realizará um Sínodo especialmente sobre a região amazônica, o Regional Sul 1 apresentará alguns projetos mantidos na Amazônia, entre o Projeto Igreja Irmãs dos Regionais Sul 1 (Estado de São Paulo) e Norte 1 (Amazonas e Roraima) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O Regional Sul 1 acompanha e sustenta financeiramente uma missão em Santa Rita do Weil (AM). As irmãs Odete, Laura e Dora, Missionárias da Imaculada (PIME) vivem nesta região e partilham seus primeiros passos da missão uma das comunidades do município amazonense de São Paulo de Olivença, na fronteira ocidental da Amazônia brasileira

Chegamos em Tabatinga, cidade que faz fronteira com a Colômbia e Peru, na segunda-feira de Páscoa de 2018. Tabatinga é a sede da diocese de Alto Solimões. Lá, fomos acolhidas com grande entusiasmo pelo seu bispo, dom Adolfo Zon Pereira. Antes ainda de chegar à nossa comunidade em Santa Rita do Weil, já fomos participar de um encontro diocesano em preparação ao Sínodo Pan-Amazônico*. Por ser uma área de fronteira, uma das características desta parte ocidental da Amazônia brasileira é a variedade da sua população, que se compõe de imigrantes peruanos e colombianos, ribeirinhos, caboclos e indígenas. Os indígenas de várias etnias predominam. Os ticuna são os que têm maior número de indivíduos. Eles conseguiram manter suas próprias raízes culturais, com ritos e tradições ancestrais. E falam sua língua nativa.

Terra de fronteiras significa também terra com desafios sociais e de segurança muito sérios: alto índice de suicídios, especialmente entre os jovens que não conseguem vislumbrar um futuro, amplo corredor de drogas, e tráfico intensivo de pessoas

A cidade vista do alto

Após o encontro diocesano em Tabatinga viemos parar em Santa Rita do Weil, um dos 73 distritos ou comunidades do município amazonense de São Paulo de Olivença, onde está a nossa paróquia. O município conta com 37,7 mil habitantes (IBGE-2016). Situa-se a pouco mais de mil quilômetros a oeste de Manaus. A comunidade de Santa Rita do Weill situa-se em um braço do Rio Solimões O acesso ao local é feito através de lanchas, barcos ou canoas. No tempo do inverno é possível chegar diretamente na comunidade, no verão, no entanto, por causa do baixo nível da água, a lancha é obrigada a deixar os passageiros na praia de onde devem caminhar uma distância maior ou menor dependendo da altura do rio. A população do distrito de Santa Rita, compreende também os vilarejos de Nova Vila, Nova Prosperidade e Nova Esperança além das comunidades ribeirinhas. Em Santa Rita a população é composta por indígenas, não indígenas e peruanos. Enquanto as comunidades ribeirinhas são na sua maioria indígenas. Em Santa Rita existe uma igreja católica, construída pelos Capuchinhos. Existem também as comunidades evangélicas. Nos vilarejos e comunidades ribeirinhas é comum que a religião do cacique seja adotada por toda a população, por isso várias delas são completamente batistas ou de outra denominação.

As atividades principais são comércio, a agricultura, a pesca, o extrativismo e o transporte. A localidade conta com 4 escolas, em uma das quais pode-se concluir o ensino médio com o método da educação à distância. Existe um posto de saúde que funciona em condições precárias. Não existe a presença de órgãos públicos de segurança ou administração. Não há água encanada nem saneamento básico. As ruas da cidadezinha são pavimentadas com cimento, os meios de transporte usados são motos, triciclos e bicicletas, porém no tempo da cheia as ruas ficam alagadas e é necessário o uso de canoas.

Mas, no final das contas, o que viemos fazer neste pedaço de mundo que nem o Mapa da Google consegue visualizar? Ainda não temos clareza absoluta. Estamos apenas nos primeiros passos e a comunidade interprovincial está incompleta, por enquanto. Como em todo o começo, é bom “não fazer muita coisa” e dar tempo ao tempo para observar, conhecer, procurar e criar vínculos de amizade e confiança. Mas esperamos ser uma presença respeitosa, que tenha condições de caminhar junto ao povo e acompanhar o seu ritmo de vida.

A consciência de tornar Santa Rita de Weil uma comunidade verdadeiramente cristã ainda é apenas embrionária. E não é tudo: multiplicam-se povoações ao longo do caudaloso Rio Solimões. Comunidades prevalentemente indígenas quase abandonadas, porque o padre pode chegar a cada uma delas somente uma vez por ano, se tanto. Nesses 10 meses de nossa presença em Santa Rita conseguimos visitar algumas dessas comunidades indígenas garantindo uma presença mais assídua sobretudo às que ficam mais próximas de nós.

Nossa gratidão vai ao Regional Sul 1 que acompanha e sustenta financeiramente nossa missão em Santa Rita com uma ajuda de 2 salários mínimos.

Os desafios são grandes, mas também grande é a fidelidade àquele Deus “Tupã”, que nos chamou para nos encarnarmos neste chão abençoado.

O Amor explica a missão.

 

Por Irmã Addolorata (Dora) Scorpioni,  da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada – PIME.

 

 

 

 

 

Palavra do Presidente

Facebook

Assine nossa newsletter

Conheça nossos parceiros.