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Jovens que protagonizam mudanças

No último dia 15 de maio, mais de um milhão de pessoas, sobretudo jovens estudantes e educadores, saíram às ruas, em todos os Estados do Brasil, contra o corte de verbas para universidades federais e em defesa da educação pública de qualidade. Essas manifestações prometem ser maiores no dia 30 de maio, com a adesão de várias Centrais Sindicais, e ampliarem-se no dia 14 de junho, com a Greve Geral contra a Reforma da Previdência.

O povo brasileiro, dando-se conta que não vive em “berço esplêndido” e de que há os que querem mantê-lo “deitado eternamente”, está, finalmente, despertando e levantando-se. Apatia? Já era! Esperar passivamente? Não mais! A esperança, agora, é ativa. Detentores do poder, porém, tentam neutralizar suas reações: forjam conflitos ideológicos imiscuindo simbologias religiosas; articulam apoio de ingênuos e de interesseiros; e tentam sustentação midiática.

Muitas pessoas, porém, ainda se mostram céticas com as manifestações que questionam projetos governamentais ou temem realizá-las, não entendendo que são meios democráticos, legítimos, necessários e eficazes de expressão sobre o que afeta suas vidas pessoais e a coletividade. Sendo pacíficas, cabe ao Estado salvaguardar esse direito, garantido pela própria Constituição Federal e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário.

Nosso contexto repressivo atual, justifica, no entanto, a menção especial a dois artigos dessa Declaração. O artigo 19 diz que “todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”; e o artigo 20 afirma que “todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica”.

A Igreja defende, igualmente, a liberdade de expressão. O Papa Francisco afirma, inclusive, que “todos têm não apenas a liberdade e o direito, como também a obrigação de dizer o que pensam para ajudar o bem comum”. Mesmo tendo dito isso no contexto do atentado contra o jornal francês Charlie Hebdo, em 2015, tal afirmação é importante para o Brasil, hoje, no qual defensores de direitos humanos têm sido atacados e movimentos sociais têm sido criminalizados.

“Daí a importância de se constituírem em autênticas sentinelas do povo, as Igrejas, os movimentos sociais, as organizações populares e demais instituições e grupos comprometidos com a defesa dos direitos humanos e do Estado Democrático de Direito”. Assim se manifestou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em sua Mensagem ao Povo Brasileiro, no último dia 7 de maio, referindo-se aos meios que possibilitam “o exercício da democracia participativa”.

Segundo a CNBB, “o Brasil que queremos emergirá do comprometimento de todos os brasileiros com os valores que têm o Evangelho como fonte da vida, da justiça e do amor. Queremos uma sociedade cujo desenvolvimento promova a democracia, preze conjuntamente a liberdade e a igualdade, respeite as diferenças, incentive a participação dos jovens, valorize os idosos, ame e sirva os pobres e excluídos, acolha os migrantes, promova e defenda a vida”.

A participação da juventude na construção desse “novo Brasil” tem sido fundamental. Aliás, o Papa Francisco, em sua recente Exortação Apostólica Cristo Vive, ressalta o potencial de “participação sociopolítica e de cidadania ativa” dos e das jovens, facilitado pelas redes sociais, por meio das quais partilham, sempre mais, informações e valores consistentes; e articulam-se, organizam-se e mobilizam-se, protagonizando mudanças significativas na sociedade.

Por Dom Reginaldo Andrietta, Bispo Diocesano de Jales

Jales, 23 de maio de 2019.

 

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