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Campanhas da Fraternidade 2019 e 2020, vivendo a ação política e já pensando no cuidar

O testemunho cristão é o que cria e pavimenta o caminho das políticas públicas e a ação do cristão no cuidar é o que muda vidas. Entre 31 de maio e 2 de junho, ocorreu no Seminário Santo Antônio de Agudos a avaliação anual da Campanha da Fraternidade do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O destaque nas avaliações dos oito sub-regionais em que se dividem o Estado de São Paulo foi a boa aceitação do tema na sociedade, com empenho dos leigos e reflexos, por exemplo, nos conselhos municipais de direitos.

Focado em um primeiro momento no objetivo geral da CF 2019 ­–estimular a participação em políticas públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade, o encontro procurou dar mais subsídios aos agentes diocesanos da campanha, com o acompanhamento do bispo referencial, Dom Eduardo Vieira dos Santos, e mantendo vívido o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça”.

Na manhã do sábado, o desembargador Miguel Brandi apresentou aspectos constitucionais das políticas públicas. Ele frisou a necessidade de conciliar o que diz a Constituição com as necessidades encontradas na prática cotidiana, incluindo a compatibilização de direitos e recursos. Ele destacou como bons exemplos os conselhos e citou os tutelares, este ano em processo de renovação eleitoral, como elementos efetivos de mudança e construção de realidades, apesar de não passarem pelos poderes públicos – Executivo, Legislativo e Judiciário.Brandi ressaltou a falta de participação popular nos âmbitos legislativos e explicou a problemática crescente da imposição de políticas públicas ao Executivo pelo Judiciário, sem esquecer condicionantes como a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Plano Plurianual. Como centro, apresentou assim o princípio da reserva do possível, de origem alemã e em discussão hoje no Supremo Tribunal Federal, que regulamenta a possibilidade e a abrangência da atuação do Estado quanto ao cumprimento de alguns direitos, sobretudo sociais, considerando os recursos públicos disponíveis.

Na continuidade, foram dados os primeiros encaminhamentos em relação à CF 2020 Fraternidade e vida: dom e compromisso (“Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”).Tendo como centro e lema o evangelho do próximo, do samaritano que acolhe o judeu à beira do caminho (Lc 10), o desafio partirá de revisitar a missão cristã do agir com misericórdia, desde o relato do dom da vida no relato da Criação em Gênesis até o compromisso inerente ao relato do fim dos tempos em Mt 25. O próximo texto-base tratará das “feridas” que interferem, machucam e prejudicam a vida, dos sofrimentos que impedem que se note as alegrias da jornada – em um rol que entram tanto aborto, mutilações (mesmo entre adolescentes e jovens) e suicídio quanto as doenças depressivas. A partir disso, surgem os cuidados necessários por parte dos cristãos, como frisou o secretário estadual executivo, Antônio Evangelista.

Para refletir sobre a espiritualidade necessária para se apresentar esse rosto misericordioso de Deus, o bispo de Bauru, Dom Rubens Sevilha, focou no magistério da Igreja e nos documentos recentes da Igreja, incluindo a exortação sobre a santidade do Papa Francisco, que destaca a possibilidade de “fazer o bem possível”. “Cristão tem os pés no chão, pois sabe usar os elementos da realidade, como análise da conjuntura, elementos da política, da sociologia e da pedagogia, para o fazer, para o agir”, frisou. “Mas sobretudo cristão tem corações ao alto, consciente de que Deus está conosco até o fim dos tempos. Nosso fazer, nosso agir, está na renúncia a nosso individualismo para se manter no seguimento do Cristo”, continuou.O bispo de Bauru apontou como pista final para trabalhar dom e compromisso com a vida o rezar e o se concentrar em “ser sal e luz”. “É preciso chegar e dizer às pessoas: Calma, eu vou te ajudar.” Na sequência, os agentes refletiram sobre a problemática do cuidar do próximo e como se preparar e estar a postos, “em saída”, para tanto.

Um dos encaminhamentos deve levar à adoção de oficinas com especialistas, no encontro estadual de novembro, para melhor preparar os atores da Campanha da Fraternidade. Essa construção dominou ainda as intervenções do domingo, irmanando as duas campanhas, de 2019 e 2020, com contribuições de agentes nas diversas áreas que atuam, do sociológico ao social e religioso, da pedagogia à psicologia. Resumiu-se, no estudo de Lucas, à questão da verdadeira moral e ética do bom samaritano. “O que é meu só é realmente meu quando for nosso”, como realçou o coordenador estadual, Padre Antônio Carlos Frizzo.Todos os participantes, como Povo de Deus, se mantiveram unânimes na certeza de que hoje, como nunca, há premência em seu trabalho: de levar a imagem de Cristo, a presença do Pai, aos que mais necessitam. Como frisou Dom Sevilha, resumindo um ensinamento do papa emérito  Bento XVI, “ao abandonar Deus, o homem não se tornou independente, o homem só se tornou órfão”. É preciso cuidar do homem, do próximo.

Texto e foto da Coordenação Estadual da Campanha da Fraternidade

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