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“A Boa Política está a Serviço da Paz”

A mensagem do Pontífice valoriza também o protagonismo dos jovens e o reconhecimento da capacidade de cada pessoa, o que colaborará para uma política a favor da paz. Foto; Vatican.News

Irmãos e Irmãs!

O início de um novo ano é sempre marcado por expectativa e esperança. Os votos de paz e de prosperidade que desejamos apontam para o compromisso na construção de um mundo novo que almejamos, com justiça e solidariedade. Confiantes na bondade de Deus que nos deu o seu Filho, dom do seu amor – Deus Conosco, nos propomos a caminhar. Acolhido, amado e testemunhado por nós que nele cremos, chegaremos ao coração das pessoas de boa vontade. Reconhecendo-as como parte de nós, estabeleceremos com elas relações que promovam a vida, com dignidade e liberdade, para a realização da verdadeira paz, possível em Jesus, o “Príncipe da paz”.

Para a celebração do 52º dia mundial da paz do ano de 2019 que estamos para iniciar, o Papa Francisco propõe para nossa reflexão o tema: “A Boa Política a Serviço da Paz”. Inicia confirmando o desejo de todo ser humano que é a paz. Ela é o coração da Boa-Nova de Deus, portanto, dom a ser acolhido e levado adiante. Um instrumento eficaz são as relações humanas, quando visam ao bem de todos: como o da comunidade, da cidade, da nação e da humanidade, no serviço recíproco, sobretudo por aqueles que receberam o mandato do povo para servir.

O Papa, na sua mensagem para o Ano Novo, expressa o desejo de toda a humanidade de chegar à cidade universal – cidade de Deus. Ela é a nossa meta.  Trata-se de um programa sempre atual que compromete a todos, cristãos e não cristãos, homens e mulheres de boa vontade, na “prática das virtudes humanas que subjazem a uma boa ação política: a justiça, a equidade, o respeito mútuo, a sinceridade, a honestidade e a fidelidade”. Recorda ainda as bem-aventuranças do político: “Bem-aventurado o político que tem uma alta noção e profunda consciência do seu papel; bem-aventurado o político de cuja pessoa irradia a credibilidade; bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para os próprios interesses; bem-aventurado o político que permanece fiel e coerente; bem-aventurado o político que realiza a unidade; bem-aventurado o político que está comprometido na realização de uma mudança radical; bem-aventurado o político que sabe escutar; bem-aventurado o político que não tem medo”. É o que todos desejamos a partir de 2019.

O Papa aponta ainda os vícios que tiram a credibilidade da Política e dos políticos: “a corrupção – na suas múltiplas formas de apropriação indevida dos bens públicos ou de instrumentalização das pessoas – negação do direito, a falta de respeito pelas regras comunitárias, o enriquecimento ilegal, a justificação do poder pela força ou com o pretexto arbitrário da ‘razão de estado’, a tendência de perpetuar-se no poder, a xenofobia e o racismo, a recusa a cuidar da terra, a exploração ilimitada dos recursos naturais em razão do lucro imediato, o desprezo daqueles que foram forçados ao exílio”.

A mensagem do Pontífice valoriza também o protagonismo dos jovens e o reconhecimento da capacidade de cada pessoa, o que colaborará para uma política a favor da paz, não negligenciando o diálogo, as sadias convicções presentes nos homens e nas mulheres, o cuidado com a nossa casa comum, superando o fechamento ou os nacionalismos que colocam em questão aquela fraternidade de que o nosso mundo globalizado tanto precisa.

Hoje, mais do que nunca, as nossas sociedades necessitam de “artesãos da paz” que possam ser autênticos mensageiros e testemunhas de Deus Pai que quer o bem da família humana. Nesse contexto é urgente a superação das ameaças que ferem a dignidade humana, superando toda dominação e intimidação, seja pela proliferação descontrolada das armas que são contrárias à moral e à busca de uma verdadeira concórdia. Afirma que o terror exercido sobre as pessoas mais vulneráveis contribui para o exílio de populações inteiras à procura de uma terra de paz. Não são sustentáveis os discursos políticos que tendem a acusar os migrantes de todos os males e a privar os pobres de esperança. É ainda fundamental não esquecer o direito das crianças de se desenvolverem num ambiente de paz, sempre favorável à vida.

Terminando sua mensagem, o Papa reporta-se à declaração universal dos direitos humanos e a São João XXIII, convidando ao empreendimento de um grande projeto de paz, o que implica a conversão do coração que tornará possível a paz numa dimensão pessoal com a rejeição de toda  intransigência, ira e impaciência; na dimensão com o outro, abraçando a família, o amigo, o estrangeiro, o pobre, o atribulado, na ousadia do encontro…, e a paz com a criação na descoberta da grandeza do dom de Deus e da responsabilidade humana.

Maria, mãe do Salvador, Rainha da Paz, a mulher que cantou a misericórdia do Senhor sobre toda a humanidade, nos inspire e nos acompanhe! Amém.

Feliz Ano Novo a todos!

Por Dom Sérgio Aparecido Colombo, Bispo Diocesano de Bragança Paulista (SP) e também presidente da Comissão para a Liturgia do Regional Sul 1 da CNBB

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